Um ataque aéreo atribuído a Israel destruiu ontem parte da embaixada do Irã em Damasco, na Síria, causando a morte de sete oficiais, incluindo dois generais, da Guarda Revolucionária iraniana. A ofensiva eleva ainda mais a tensão no Oriente Médio, no momento em que Israel desafia os apelos do Ocidente e amplia as operações em sua guerra contra o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza.
O ataque ao edifício diplomático iraniano ameaça marcar o início de uma escalada nas ofensivas de Israel contra alvos do Irã na Síria e em outros países vizinhos, como o Líbano onde atua o Hezbollah — grupo xiita armado por Teerã. Israel, que raramente reconhece esse tipo de ataque, declarou que não comentaria notícias da mídia síria relativas ao bombardeio.
TVs árabes e iranianas informaram que um dos mortos é o general Ali Reza Zahdi — que anteriormente liderou a força de elite Quds do Irã no Líbano e na Síria até 2016. O embaixador iraniano Hossein Akbari condenou o ataque e disse que equipes de resgate ainda reviravam os destroços do setor consular da embaixada em busca de mais corpos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amirabdollahian, disse que Israel deve responder pelas consequências e repercussões do ataque, enquanto um enviado do país à Síria prometeu uma “resposta decisiva”.
Em outro episódio, a mídia palestina informou também ontem que outro ataque israelense — na Faixa de Gaza — causou a morte de cinco trabalhadores humanitários da World Central Kitchen (WCK). As circunstâncias do ataque não ficaram imediatamente claras, mas o jornal “Times of Israel” informou que quatro dos mortos são de cidadãos estrangeiros, da Polônia, Austrália, Irlanda e Reino Unido. Fundada pelo premiado chef espanhol José Andrés, a organização não governamental sem fins lucrativos WCK se dedica desde 2010 a oferecer refeições para populações afetadas por catástrofes naturais e conflitos. O grupo está presente no enclave palestino desde fevereiro.
Ao mesmo tempo, após um dos finais de semana mais violentos na Faixa de Gaza dos últimos meses, as tropas de Israel anunciaram ontem o fim da “bem-sucedida” operação contra o hospital Al-Shifa, maior do enclave palestino. Moradores da região relataram a “total destruição” do local e vários corpos deixados para trás.
Em comunicado, Israel descreveu a incursão como uma das operações mais exitosas da guerra, em resposta à incursão de militantes do Hamas em território israelense, em 7 de outubro — que deixou 1,2 mil mortos, centenas de feridos e resultou em mais de 200 reféns, entre os quais cerca de 140 permanecem em poder do grupo palestino. O exército de Israel disse ter matado cerca de 200 militantes do Hamas em combates dentro e nos arredores de Al-Shifa, além de ter apreendido armas e documentos.
A condução da guerra tem causado pressões internas e externas ao governo de Israel. O premiê Benjamin Netanyahu se recusa a acatar os apelos dos EUA e seus aliados pela adoção de uma trégua de pelo menos seis semanas para negociar a troca dos reféns por palestinos que cumprem penas em prisões israelenses presos. No sábado e no domingo, cidadãos israelenses realizaram as maiores manifestações contra Netanyahu desde o início da guerra.
O premiê internou-se no domingo em um hospital de Israel para realizar uma cirurgia de hérnia — que seus assessores informaram ter sido bem-sucedida. Os mesmos assessores disseram que Netanyahu deve ter alta hoje.
Enquanto isso, funcionários americanos e israelenses mantinham ontem negociações virtuais sobre outro tema central da divergência entre os dois países. Antes de ir ao hospital, Netanyahu reiterou que manterá os planos para um iminente ataque à cidade de Rafah, no sul do território. Os EUA se opõem a uma ofensiva contra a cidade — onde hoje vivem cerca de 1,3 milhão de palestinos.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, disse que Jake Sullivan, conselheiro de segurança nacional, lidera a delegação dos EUA. Um novo encontro está marcado para sexta-feira.
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Equipes de resgate trabalham em prédio destruído por um bombardeio em Damasco, na Síria, nesta segunda-feira, 1º de abril de 2024 — Foto: AP Photo/Omar Sanadiki
Fonte: Valor Econômico
