O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) começou 2026 com alta de 0,33%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior taxa para o mês desde 2024 (0,42%) e o dobro da variação de janeiro de 2025 (0,16%). A taxa também coincidiu com a de dezembro de 2025 (0,33%).
A mediana das projeções de 32 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data era de alta de 0,32%. O resultado ficou dentro do intervalo das projeções, que iam de alta de 0,23% a 0,40%.
Nos 12 meses até janeiro, o IPCA subiu 4,44%, em linha com mediana das projeções do Valor Data. As estimativas variavam entre 4,34% e 4,52%.
Com isso, o resultado em 12 meses ficou abaixo do teto da meta inflacionária estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e perseguida pelo Banco Central (BC). A meta de inflação é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Pelos parâmetros da meta contínua de inflação, o IPCA ultrapassa o alvo se a inflação em 12 meses permanecer acima de 4,5% por seis leituras seguidas.
Das nove classes de despesas usadas para cálculo do IPCA, alimentação e bebidas reduziram o ritmo de alta na passagem de dezembro de 2025 para janeiro de 2026 (de 0,27% para 0,23%), assim como transportes (de 0,74% para 0,60%); artigos de residência (de 0,64% para 0,20%); e educação (de 0,08% para 0,02%). Vestuário mudou de direção(de 0,45% para -0,25%);
Habitação, por sua vez, abrandou a queda (de -0,33% para -0,11%). Saúde e cuidados pessoais subiram mais (de 0,52% para 0,70%), comportamento idêntico observado em despesas pessoais (de 0,36% para 0,41%) e comunicação (de 0,37% para 0,82%).
O IBGE calcula a inflação oficial brasileira com base na cesta de consumo das famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas, além das cidades de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.
A inflação se espalhou mais pelos itens que compõem o IPCA em janeiro. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, passou de 60,5% em dezembro de 2025 para 63,9% em janeiro de 2026, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta.
Sem alimentos, um dos grupos considerados mais voláteis, o indicador foi de 64,6% para 66%.
Fonte: Valor Econômico

