Investing.com — Os fundos de money market [fundos de curtíssimo prazo, equivalentes aos DI] registraram sua maior captação semanal desde abril de 2020, compensando o resgate da semana anterior, mas o Bank of America diz que esse caixa não vai a lugar nenhum até que o Federal Reserve comece a cortar os juros.
Estrategistas liderados por Michael Hartnett disseram que o caixa permanece à margem até que haja um grande afrouxamento monetário ou cortes sustentados do Fed. “Sem cortes de juros, sem corte no caixa”, escreveram.
Os estrategistas observaram que os ativos dos fundos de money market subiram para US$ 8 trilhões, ante US$ 5 trilhões em 2023. Os fundos agora geram US$ 330 bilhões em receita anual de juros, com o yield do Treasury bill [título de curto prazo do Tesouro dos EUA] em 4,2%.
Sobre a amplitude do mercado, em termos líquidos 50% dos índices globais de ações estão sendo negociados abaixo de suas médias móveis de 50 e de 200 dias, o maior percentual desde abril de 2025, observou o BofA. Um sinal contrário de compra para ativos de risco é acionado em 88% líquidos, o que, segundo os estrategistas, não deve acontecer tão cedo, a menos que os índices dos EUA, de Taiwan e da Coreia, com forte peso de tecnologia, revertam rapidamente.
O BofA Bull & Bear Indicator caiu para 8,1, ante 8,8, com a amplitude mais fraca e spreads mais largos nos títulos high yield e na dívida subordinada de bancos. O indicador permanece em território de “venda”.
Os estrategistas disseram que as eleições de meio de mandato continuam sendo o catalisador mais provável para um movimento de 10% nas ações, em qualquer direção, até 2027. Eles tendem a uma postura risk-off antes da votação, dado o ciclo de aperto dos bancos centrais, com 54 altas até agora em 2026, e as condições financeiras mais apertadas.
Eles também apontaram “canários” de crédito [sinais de alerta antecipado] a monitorar, incluindo a taxa de câmbio entre o dólar australiano e o iene, os fundos de risk parity e os credit default swaps de tecnologia. Os estrategistas ressaltaram, porém, que os investidores adicionaram recentemente hedges contra uma queda acentuada do mercado.
Em tecnologia, os estrategistas não aumentariam a exposição, com os investidores já no máximo de posição comprada. Eles esperam que as ações das Magnificent Seven continuem a superar as de semicondutores, à medida que growth supere os setores cíclicos até as eleições de meio de mandato, e veem as ações de tecnologia da China, numa visão contrária, como “interessantes”.
Os estrategistas estão comprando aos poucos posições de “peak yield” [apostas no pico dos yields], incluindo Treasuries de 30 anos, small caps, REITs e o setor imobiliário de Hong Kong, já que a maioria dos investidores está esperando yields de 6% para comprar Treasuries. A visão de longo prazo deles é permanecer comprado em ouro, commodities e mercados emergentes.
Nos fluxos mais recentes, os fundos de money market captaram US$ 166,4 bilhões na semana encerrada em 7 de outubro, os de títulos US$ 33,8 bilhões, os de ações US$ 12,4 bilhões e os de ouro US$ 2 bilhões. Os fundos de cripto registraram resgates de US$ 600 milhões.
Os fundos de tecnologia captaram US$ 3,5 bilhões, a maior entrada em seis semanas, enquanto os de financials perderam US$ 3 bilhões, a maior saída desde março.
Por região, as ações dos EUA registraram sua primeira captação em três semanas, de US$ 3,3 bilhões. As ações de mercados emergentes atraíram US$ 2,1 bilhões, na segunda semana de entradas, e a Europa somou US$ 200 milhões, também na segunda semana. O Japão registrou resgates de US$ 3,3 bilhões, os maiores desde maio.
Fonte: Investing.com
