O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% em setembro, após cair 0,32% um mês antes. Em setembro de 2025, houve alta de 0,48%. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior taxa para meses de setembro desde 2021 (1,16%).
A mediana das projeções de 32 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data era de aumento de 0,74%. O resultado ficou dentro do intervalo das projeções, que ia de elevação de 0,57% a 0,83%.
Nos 12 meses até setembro, houve aumento de 4,58%, ante 4,22% no acumulado até agosto. A mediana das estimativas do Valor Data era de 4,50%, com projeções entre 4,32% e 4,60%.
O resultado do IPCA em 12 meses ficou acima do centro da meta inflacionária estabelecida pelo Banco Central (BC) de 3% para 2026, e fora da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.), para mais ou para menos.
Das nove classes de despesas usadas para cálculo do IPCA, mudaram de rumo entre agosto e setembro alimentação e bebidas (de -0,34% para 0,83%), habitação (de -1,87% para 2,31%), transportes (de -0,86% para 0,89%), e comunicação (de -0,09% para 0,64%). Vestuário subiu mais (de 0,12% para 0,71%).
No caso de habitação e de transportes, segundo o IBGE, houve pressão de aumentos expressivos, respectivamente, em energia elétrica (7,98%) e em gasolina (1,21%).
Segundo o instituto, energia foi influenciada pelo fim da incorporação do “Bônus de Itaipu”. Esse é um desconto automático, aplicado na conta de luz, que devolve aos consumidores excedentes financeiros gerados por operação da usina hidrelétrica binacional de Itaipu.
Esse contexto fez com que energia fosse principal impacto individual no IPCA do nono mês de 2026, com contribuição de 0,32 ponto percentual (p.p.) no cálculo do indicador.
Com abrandamento no ritmo de alta de agosto para setembro, apareceram artigos de residência (de 0,64% para 0,27%), saúde e cuidados pessoais (de 0,23% para 0,08%), despesas pessoais (de 1,30% para 0,26%) e educação (de 0,47% para 0,04%).
O IBGE calcula a inflação oficial brasileira com base na cesta de consumo das famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas, além das cidades de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.
A inflação se espalhou mais pelos itens que compõem o IPCA em setembro. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, passou de 54,4% em agosto para 54,9% um mês depois, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta.
Sem alimentos, um dos grupos considerados mais voláteis, o indicador foi de 56% em agosto para 55,5% em setembro.
Fonte: Valor Econômico
