Por Bloomberg
18/04/2023 05h03 Atualizado há 5 horas
Com a inflação em desaceleração no mundo todo e muitos bancos centrais perto do fim do ciclo de aperto monetário, um coro crescente de investidores diz que os mercados emergentes são o melhor lugar para investidores de renda fixa conseguirem retornos.
A classe de ativos se beneficia de juros mais altos – e índices de inflação que, em alguns casos, são mais baixos – do que nos EUA. Na América Latina, bancos centrais foram mais rápidos do que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) quando as pressões de preços começaram a aumentar e, com isso, elevaram mais as taxas.
Agora, com a expectativa de que o Fed pare de aumentar os juros em breve e comece a afrouxar a política monetária no fim do ano, o dólar está em queda, o que abre caminho para que bancos centrais da região sigam os mesmos passos. Isso cria um ganho potencial para investidores que possuem títulos em moeda local.
“Uma alocação estrutural para os mercados locais é uma das melhores maneiras de manifestar sua opinião sobre a América Latina em meio à queda do dólar”, disse Mauro Favini, gestor sênior de portfólio do Vanguard Group.
“Uma vez que o Fed comece a cortar, isso permite que os bancos centrais latino-americanos o sigam, pois há menos risco de desvalorização da moeda local à medida que o dólar cai”, acrescentou. “Há muito mais espaço para valorização do capital em títulos latino-americanos do que nos EUA.”
Os preços ao consumidor começaram a recuar significativamente em mercados emergentes nos últimos meses. Dados de março mostram que a inflação anual atingiu 6%, uma mínima de 13 meses, em comparação com 6,9% em fevereiro, de acordo com uma estimativa preliminar da Capital Economics.
Para alguns dos maiores países da América Latina, a desaceleração da inflação é resultado da decisão de elevar os juros antes e em ritmo acelerado. No Brasil, onde o Banco Central (BC) começou a apertar a política monetária um ano antes do Fed e elevou a Selic a 13,75%, o IPCA subiu 4,65% em março, a menor alta desde janeiro de 2021.
No México, segunda maior economia da região, a inflação ficou em 6,85%, o nível mais baixo desde outubro de 2021, embora ainda acima do ritmo de 5% nos EUA.
A menor pressão dos preços e o enfraquecimento do dólar têm impulsionado ativos domésticos neste ano. Títulos públicos da América Latina em moeda local mostraram retorno de 12,5% em 2023, bem acima do retorno médio de 3,4% da dívida em moeda forte da região.
Fonte: Valor Econômico