Muitos investidores vêm comprando ações de empresas europeias de artigos de luxo e de outros setores com forte presença na China, por acreditar que representam uma forma mais segura de lucrar com uma possível recuperação da segunda maior economia do mundo do que investir diretamente em seu atribulado mercado de ações. O índice Stoxx Luxury 10 – composto por dez empresas europeias do setor de luxo que, de acordo com estimativas do Barclays, obtém cerca de 26% de seu lucro na China – acumula valorização de 9,3% em 2024, bem à frente da elevação de 0,8% do Stoxx Europe 600, um indicador geral do mercado acionário europeu.
As ações de outros setores com alta exposição à China, como o automotivo e o de saúde, também tiveram desempenho superior a esse referencial. Estrategistas dizem ver os primeiros sinais de recuperação da ainda debilitada economia chinesa, que em 2023 teve uma das taxas de crescimento mais baixas em décadas. Mesmo assim, eles veem o mercado acionário chinês como um lugar perigoso para investir, depois da debacle que fez quase US$ 2 trilhões de valor de mercado das empresas locais evaporarem.
As ações europeias oferecem “uma maneira mais segura” de obter exposição à China, segundo Florian Ielpo, chefe da área de macroeconomia na Lombard Odier Investment Managers. “A maioria dos setores da Europa poderia lucrar com melhoras na China e essas melhoras ainda não estão nos preços”, disse. “Se você não quer ficar exposto aos problemas estruturais, mas quer estar exposto à recuperação cíclica, então as ações europeias são o caminho”, acrescentou.
A Lombard Odier dá um peso acima da média para a Europa em suas carteiras de investimento. De acordo com Ielpo, as ações do setor luxo são o lugar “óbvio” para investir, assim como as das áreas de saúde, de automóveis e de produtos industriais.
As ações europeias do setor de luxo foram impulsionadas nas últimas semanas pelos lucros dos pesos pesados LVMH e Hermès, que superaram as previsões dos analistas, convencendo alguns operadores de que seus valores relativos haviam sido excessivamente golpeados pelo pessimismo em relação à economia chinesa. As ações da LVMH subiram 9,2% neste ano, enquanto as da Hermès avançaram 11,8%.
Na semana passada, o executivo-chefe da Hermès, Axel Dumas, minimizou as preocupações quanto a uma desaceleração do consumo na China. Embora tenha notado menor movimento nos shopping centers em sua visita mais recente ao país, ele acrescentou não ter visto isso refletido nos números do quarto trimestre da empresa.
Fonte: Valor Econômico
