Por Hannah Miao e Hardika Singh — Dow Jones Newswires
17/07/2023 05h02 Atualizado há 5 horas
O rali do mercado de ações não é mais apenas um grande rali de tecnologia. Há apenas dois meses, as sete maiores companhias de tecnologia dos Estados Unidos eram responsáveis por praticamente todos os ganhos do mercado de ações em 2023. Retornos impressionantes de ações de empresas como Apple, Microsoft e Nvidia empurraram o índice S&P 500 para um novo “bull market” (mercado altista). As gigantes tecnológicas tornaram-se tão dominantes que ganharam um novo apelido: as “Sete Magníficas”.
Agora, as ações de muitas empresas estão ampliando esse rali. Mais de 130 ações do S&P 500 atingiram novas máximas em 52 semanas desde o fim de maio, como Lowe’s e General Electric. Todos os 11 setores do índice subiram nesse período, levando-o a uma valorização de mais de 17% no ano. E as ações de pequena capitalização de mercado também estão subindo.
Wall Street frequentemente vê a melhora da amplitude como uma medida de saúde do mercado de ações e prenúncio de que o rali poderá durar. Isso vem dando mais confiança aos investidores para eles correrem para as ações, apesar da persistência das preocupações com a desaceleração dos lucros das empresas, a possibilidade de uma recessão e a campanha em andamento pelo Federal Reserve de contenção da inflação por meio de aumentos das taxas de juros.
“O mercado está enviando um sinal muito poderoso com essa ampliação”, diz Andrew Slimmon, gerente sênior de portfólio da Morgan Stanley Investment Management. “Acho que veremos uma continuação do rali.” Slimmon diz estar em busca de oportunidades de compra em áreas que ficaram atrás do mercado como um todo este ano, como as ações de algumas empresas do setor financeiro.
A economia dos EUA provou ser mais resistente do que o esperado: o mercado de trabalho permanece robusto, os consumidores estão abrindo suas carteiras e o pânico com o setor bancário diminuiu.
Os investidores entraram em 2023 cansados das ações, depois das grandes perdas do ano passado. Mas com a inflação dando sinais de moderação e alguns investidores apostando que o Fed logo faria uma pausa ou reverteria os aumentos nas taxas de juros, as ações voltaram a subir.
Então, o rápido colapso do Silicon Valley Bank (SVB) em março e as turbulências que se seguiram no sistema financeiro transformaram as ações de companhias de tecnologia grandes e estabelecidas em um porto seguro, enquanto outras áreas do mercado patinavam.
Um frenesi em torno dos acontecimentos na área de Inteligência Artificial (IA) elevou ainda mais os preços das ações das chamadas “big techs” no segundo trimestre. O valor de mercado das Sete Magníficas – Alphabet, Amazon, Apple, Meta Platforms, Microsoft, Nvidia e Tesla -aumentou. As ações da Nvidia subiram 31% em apenas três pregões em maio.
O S&P 500, que é ponderado pela capitalização de mercado, colheu os benefícios da alta do setor de tecnologia. Sob a superfície, porém, estava instável. O S&P 500 com ponderação equitativa, que dá o mesmo status às menores e às maiores empresas do índice, acumulava no fim de maio uma perda de 1% no ano.
A liderança de mercado apertado tende a deixar os investidores nervosos. A influência grande demais de apenas um punhado de grandes empresas no S&P 500 torna o índice amplo vulnerável a uma desaceleração se alguns pesos pesados caem. Apenas seis semanas atrás, o S&P 500 estaria negativo no ano sem as contribuições das Sete Magníficas, segundo a S&P Dow Jones Indices.
“Sempre que há uma participação de mercado estreita, isso leva a uma bolha”, diz Venkat Balakrishnan, chefe de alocação de ativos da MissionSquare Retirement. “A bolha vai romper e isso não é bom para o mercado.”
É por isso que o ponto de virada na amplitude do mercado deu munição para os que apostam na alta. Um indicador técnico de amplitude do mercado bastante seguido atingiu na semana passada um patamar não visto desde o ano passado. A parcela das ações do S&P 500 que fecharam acima de suas médias móveis de 50 dias ultrapassou 80% pela primeira vez desde dezembro de 2022, segundo a FactSet.
O S&P 500 com ponderação equitativa superou o desempenho do S&P 500 regular também nas últimas seis semanas. Balakrishnan diz que sua firma planeja comprar mais “value stocks” – ações negociadas a preços percebidos como relativamente baratos em relação aos seus retornos – à medida que o rali se expande. “Para as carteiras diversificadas, isso é uma coisa boa. Você não precisa depender de um punhado de ações de grande potencial de crescimento nos EUA.”
Maggi Keating, gerente sênior de portfólio da FBB Capital Partners, diz que sua firma tem ações de cinco das Sete Magníficas, mas não planeja perseguir ainda mais o rali de tecnologia aumentando as posições. Ela afirma que continua totalmente investida em todos os setores do mercado. “É mais saudável para o mercado em geral ter todas as companhias de todos os setores participando, em vez de apenas um punhado.”
Os investidores individuais estão colocando cada vez mais dinheiro nos fundos negociados em bolsas de valores que acompanham os índices amplos, segundo a Vanda Research. As entradas líquidas de indivíduos no fundo SPDR S&P 500 ETF Trust dispararam em julho e continuam elevadas em relação aos níveis do ano passado.
Mark Schmitt, 59, diz ter aplicado cerca de US$ 150 mil no Vanguard S&P ETF no último mês e recentemente transferiu cerca de US$ 50 mil de um ETF imobiliário para um fundo de índices mais amplo. Ele prefere investir em fundos amplos em vez de escolher ações individuais. “Estou otimista e espero que o mercado continue subindo”, diz Schmitt, um executivo da área de fabricação de dispositivos médicos baseado em Atwater, Minnesota.
Por trás do renovado otimismo com as ações, está uma esperança crescente de uma aterrissagem suave para a economia – um cenário em que o Fed controla a inflação sem desencadear uma recessão.
O dado mais recente sobre os preços ao consumidor mostrou que a inflação cedeu em junho para o nível mais baixo desde o começo de 2021. As contratações também diminuíram em junho, mas a taxa de desemprego permanece historicamente baixa. A economia dos EUA continua crescendo, segundo estimativas recentes.
“Estamos nessa economia de crescimento moderado”, afirma Jay Hatfield, CEO da Infrastructure Capital Management.
Muitos operadores estão apostando que a desaceleração da inflação poderá colocar o Fed no caminho da interrupção da alta dos juros após sua reunião de política monetária deste mês, podendo encerrar a mais agressiva campanha de aumento dos juros desde a década de 1980.
Fonte: Valor Econômico
