O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 0,52% em março, depois de ter caído 0,73% em fevereiro, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O resultado ficou acima da mediana de 0,35% das estimativas dos economistas ouvidos pelo Valor Data, e dentro do intervalo das projeções (-0,14% a +0,63%). Em março de 2025, o IGP-M caiu 0,34%.
Com o resultado de março, o índice acumula queda de 1,83% em 12 meses. Esse resultado ficou acima da mediana de -1,99% das estimativas dos analistas ouvidos pelo Valor Data, e dentro do intervalo das projeções (-2,47% a -1,72%) para o ano. Em 2026, o indicador tem alta acumulada de 0,19%.
Na primeira prévia deste mês, o indicador havia tido baixa de 0,19% e, na segunda, subido 0,15%.

“O IPA mantém-se sob forte influência da agropecuária, com destaque para as contribuições de bovinos, ovos, leite, feijão e milho, que ajudaram a impulsionar a aceleração do índice. Ao mesmo tempo, o agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio já se reflete nos preços de derivados de petróleo, indicando a disseminação dessas pressões para outros segmentos”, afirmou afirma Matheus Dias, economista do FGV Ibre.
Segundo ele, apesar de a taxa acumulada em 12 meses permanecer em patamar bastante baixo (-14,13%), o subgrupo Produtos Derivados do Petróleo no IPA-M apresentou inflexão relevante na margem, ao passar de -4,63% em fevereiro para 1,16% em março, sinalizando mudança no sinal da variação e possível reversão da trajetória recente.

“Esse movimento está associado à elevação da percepção de risco sobre a oferta global de petróleo, diante da intensificação do conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, o que tem pressionado as cotações.”
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) avançou 0,61%, ante queda de 1,18% em fevereiro.

Analisando os diferentes estágios de processamento, percebe-se que o grupo de Bens Finais subiu 0,80% em março, ante 0,12% em fevereiro. O índice correspondente a Bens Finais (ex), que exclui os subgrupos de alimentos in natura e combustíveis para consumo, passou de 0,20% em fevereiro para -0,09% em março. A taxa do grupo Bens Intermediários avançou 0,32% em março, após registrar 0,01% no mês anterior. O índice de Bens Intermediários (ex) (excluindo o subgrupo de combustíveis e lubrificantes para a produção) subiu 0,32% em março, contra alta de 0,42% em fevereiro. O estágio das Matérias-Primas Brutas acelerou 0,67% em março, após cair 2,88% em fevereiro.
O Índice de Preços ao Consumidor registrou taxa de 0,30%, mesmo resultado de fevereiro. Entre as oito classes de despesa que compõem o índice, cinco apresentaram avanços em suas taxas de variação: Alimentação (0,17% para 0,95%), Despesas Diversas (0,37% para 1,30%), Vestuário (-0,43% para 0,14%), Transportes (0,53% para 0,61%) e Comunicação (0,01% para 0,14%). Em sentido oposto, os grupos Educação, Leitura e Recreação (0,72% para -1,71%), Habitação (0,33% para 0,28%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,12% para 0,08%) registraram recuo em suas taxas de variação.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,36%, ante alta de 0,34% em fevereiro. Dos três grupos constituintes do INCC, Materiais e Equipamentos recuou de 0,30% para 0,28%; Serviços desacelerou de 0,36% para 0,24%; e Mão de Obra aumentou de 0,39% para 0,47%.
Fonte: Valor Econômico
