A Bridgewater Associates alertou que o aumento dos gastos governamentais e as pressões inflacionárias de curto prazo ligadas à IA estão criando uma perspectiva cada vez mais desafiadora para os mercados globais de títulos, levando o hedge fund a favorecer ações em detrimento de renda fixa, segundo uma reportagem da Bloomberg.
A reportagem cita os co-chief investment officers (co-CIOs) do gestor macro com sede em Connecticut — Bob Prince, Greg Jensen e Karen Karniol-Tambour — dizendo, em uma nota recente a investidores, que uma disparada na emissão de dívida soberana para financiar prioridades nacionais como defesa, infraestrutura e autossuficiência econômica pode acabar sobrecarregando a demanda dos investidores.
Os CIOs advertiram que, embora não exista um limiar fixo que determine quando os níveis de dívida pública se tornam insustentáveis, várias economias desenvolvidas estão “chegando perigosamente perto” dos limites do que os mercados estão dispostos a absorver.
“Depende de quão dispostos os compradores estão a manter uma oferta de dívida em expansão contínua e do que é necessário para atrair o próximo comprador marginal”, escreveu o trio, destacando preocupações crescentes em torno da pressão impulsionada pela oferta sobre os mercados de títulos soberanos.
O alerta ocorre após a volatilidade recente nos títulos do governo japonês, que sofreram uma forte venda à medida que a primeira-ministra Sanae Takaichi avançou com planos de estímulo fiscal. A Bridgewater observou, no entanto, que o Japão não é um ponto fora da curva, com muitos governos globalmente perseguindo políticas expansionistas financiadas por dívida.
A gestora também sinalizou riscos renovados de inflação, argumentando que a inflação pode estar sendo subestimada pelos investidores, apesar do arrefecimento das pressões de preços nos últimos trimestres. Embora o investimento em larga escala em inteligência artificial possa se mostrar desinflacionário no horizonte mais longo, a Bridgewater acredita que ele está adicionando pressão inflacionária no curto prazo por meio do aumento da demanda por semicondutores, energia, mão de obra especializada e infraestrutura.
Segundo os co-CIOs, um crescimento mais forte ligado ao investimento em IA é favorável aos lucros corporativos, mas, simultaneamente, pode elevar a inflação em um momento em que os governos estão emitindo volumes crescentes de dívida — uma combinação que provavelmente empurrará os yields dos títulos para cima.
“Com pouco espaço para os bancos centrais reduzirem taxas de forma proativa, e com o quantitative tightening [redução do balanço dos bancos centrais] continuando na Europa e no Japão, com transbordamentos globais, vemos um ambiente desafiador para títulos e favorecemos ações”, disse a nota.
Fonte: HedgeWeek
Traduzido via ChatGPT