Por Bloomberg
28/06/2022 05h02 Atualizado há 5 horas
Os mercados emergentes de alto risco entram em um novo ciclo de inadimplência à medida que os investidores se preparam para uma recessão, segundo o Goldman Sachs. O Sri Lanka foi provavelmente apenas o primeiro de vários calotes de economias em desenvolvimento, disse Kamakshya Trivedi, cochefe de pesquisa global de câmbio e juros do banco de investimentos.
O país parou de pagar os detentores de seus títulos externos no início do ano em meio a inflação desenfreada e agitação social, oferecendo um bom exemplo do tipo de risco à espreita em outras economias, disse. A Rússia também entrou em default de sua dívida soberana em moeda estrangeira.
“Esta é uma dessas situações em que o tempo não é seu amigo”, disse Trivedi à “Bloomberg Television”. “Quanto mais isso persistir, muitos desses países terão que gastar reservas ou tentar empréstimos de outras fontes. Está se tornando um ambiente bastante desafiador se é um mercado emergente de alto risco com muita necessidade de financiamento em dólar, moeda sob pressão e o mundo como um todo vendo as probabilidades de recessão aumentarem”, disse.
Os títulos em dólar de vários emergentes monitorados pela Bloomberg têm rendimentos superiores a 10%, um nível considerado de alto risco, à medida que os bancos centrais apertam as condições monetárias e o mercado se preocupa com uma recessão nos EUA.
O risco também se mostra na queda no volume de vendas de novos títulos de emergentes de alto rendimento, disse Trivedi. Segundo o Goldman Sachs, governos com classificação mais baixa venderam apenas US$ 18 bilhões em dívida externa em 2022, contra média histórica de US$ 32 bilhões.
Fonte: Valor Econômico
