Gestores e analistas estão mais pessimistas com o desempenho do mercado de crédito privado no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento feito trimestralmente pela área de pesquisa do Banco ABC Brasil.
Entre os entrevistados, 59% preveem recuo, sendo que 42% projetam que as emissões vão cair até 10%. Outros 17% esperam queda maior que esse patamar.
Na pesquisa anterior, 25% esperavam que o mercado primário encolhesse, sendo que 19% viam até 10% de diminuição nas emissões nos três meses seguintes e 6%, queda maior que 10%.
Odilon Costa, analista de crédito do banco e autor do levantamento, diz que o maior pessimismo pode ser atribuído ao aumento dos prêmios de risco das debêntures incentivadas observado em outubro. Com a piora no desempenho dos fundos, em novembro os saques superaram os depósitos.
De acordo com os gestores e analistas ouvidos, 52% ainda esperam um movimento de aumento dos prêmios de risco acima de 25 pontos-base nos próximos três meses, tanto em debêntures incentivadas quanto em corporativas, e 9% preveem alta acima desse patamar. Na pesquisa anterior, em setembro, essas fatias foram de 18% e 6%, respectivamente.
A sondagem incluiu ainda uma pergunta sobre enquadramento de fundos de debêntures incentivadas. Como as regras dessas aplicações exigem que 85% do patrimônio esteja nesses papéis em até dois anos, a demanda vem se mantendo alta, o que contribuiu para a redução dos prêmios de risco até outubro.
Conforme a pesquisa, para 14%, haverá necessidade no mercado de enquadramento no valor até R$ 15 bilhões, enquanto 22% esperam algo entre R$ 15 bilhões e R$ 30 bilhões. Já 14% preveem compras de gestores acima de R$ 30 bilhões para manter seus fundos enquadrados na legislação, mas 50% não souberam opinar.
Quando perguntados sobre suas próprias gestoras, 17% afirmaram que precisarão enquadrar 17% do patrimônio líquido até junho deste ano, 30% terão que adequar até 15%, 20% disseram que o volume a enquadrar é irrelevante e 33% não souberam opinar.
Com isso, a pesquisa concluiu que não há consenso sobre a demanda que ainda será observada no mercado no primeiro semestre deste ano. “Em nossa opinião, os principais fatores que prejudicam a medição dessa necessidade são a redução do ritmo de captação da indústria e as diferentes estratégias de alocação adotadas pelas casas (% do PL já alocado em debêntures isentas)”, afirma Costa, no relatório.
Fonte: Valor Econômico