Após a escalada da guerra no Oriente Médio, os gestores de fundos de ações aumentaram a fatia de papéis de setores ligados a commodities e considerados defensivos e dimuíram a parcela de ações mais sensíveis a juros e dependentes da economia local, aponta um estudo feito pela casa de análises Empiricus. Foram ouvidas 22 gestoras de fundos de ações, com R$ 85 bilhões sob gestão ao todo, entre os dias 1º e 9 de abril.
O sentimento melhorou especialmente em relação aos setores de petróleo e gás e metais e mineração. O setor de petróleo e gás emplacou o terceiro mês de percepção positiva, com aumento a cada mês dessa percepção. Já o setor de metais e mineração teve o primeiro mês de percepção positiva desde janeiro.
Na contramão, houve uma piora no sentimento dos gestores em relação aos setores de papel e celulose e imobiliário, principalmente em relação às empresas de construção civil.
Houve uma mudança dos setores onde mais gestoras estão concentradas. Antes era utilidades públicas, financeiro e varejo, respectivamente. Agora, é financeiro (41%), utilidades públicas (23%) e petróleo e gás empatado com varejo em terceiro lugar (14%).
A alocação aumentou em empresas de capitalização acima de R$ 20 bilhões, de 54% para 62%. O movimento reforça a preferências por empresas consolidades, que dependem menos da economia brasileira. Os gestores estão gostando mais de companhias com balanços mais saudáveis e menos endividadas. Além disso, a maioria manteve a principal posição individual entre 5% e 15% da carteira, o que aponta cuidado para evitar uma concentração e disciplina na gestão de risco.
O caixa médio dos portfólios recuou para 5,9% e e o caixa mediano (situado no meio, entre dois extremos), para 5%, o que sugere que os gestores aproveitaram a desvalorização do mercado para alocar capital. A maioria prevê que o atual caixa continue nos próximos seis meses. O nível do caixa funciona como um termômetro do apetite por investimentos de risco risco ou do patamar de oportunidade que os gestores estão enxergando.
A percepção sobre a bolsa continuou positiva, em linha com o mês anterior. A avaliação de que a bolsa brasileira está barata continuou, embora menos profissionais a vejam como muito barata.
Março marcou uma mudança relevante para os mercados, com a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que aumentou a aversão aos investimentos de risco mundo afora. O Ibovespa recuou 0,7% no período, devolvendo uma parte da valorização dos primeiros dois meses do ano. Contudo, o Ibovespa já subiu 5% até dia 16 deste mês e renovou recordes, com pistas de acordos diplomáticos, embora sem nada muito concreto.
Além disso, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoveu o primeiro corte de juros em quase dois anos, diminuindo a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A decisão veio em tom cauteloso, sem uma clara indicação sobre os próximos passos, porque a alta na cotação do petróleo causada pela guerra pressiona a inflação. Isso tudo aumenta a incerteza para os investimentos.
Fonte: Valor Investe
