Divergências entre os membros do Gabinete de Guerra de Israel estão se tornando públicas e ameaçam interferir na estratégia militar do país na Faixa de Gaza num momento em que a guerra entra em fase crucial.
Os membros do Gabinete de Guerra — formado pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, pelo ministro da Defesa, Yoav Gallant, e pelo ex-chefe das Forças Armadas israelenses Benny Gantz — estão discordando publicamente sobre dois grandes dilemas: se Israel deveria negociar para acabar com o conflito e libertar os reféns e quem deverá governar a Faixa de Gaza ao fim do conflito.
As diferentes opiniões entre as lideranças israelenses refletem divergências pessoais e profissionais de longa data.
O grupo se juntou para enfrentar um inimigo comum, o Hamas. No entanto, à medida que aumentava a pressão por parte do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para limitar as mortes de civis palestinos em Gaza, as divergências ressurgiram entre os líderes.
Gallant disse em entrevista coletiva realizada na segunda-feira (15) que a “indecisão política” sobre quem assumiria a responsabilidade por Gaza no pós-guerra prejudicaria a atuação militar.
Em um plano articulado no início deste mês, Gallant defendeu a autogovernança palestina e uma força-tarefa multinacional liderada pelos EUA, com parceiros europeus e do Oriente Médio, para supervisionar o novo governo da Faixa de Gaza. Os EUA querem que uma Autoridade Palestina revitalizada assuma o poder com a ajuda dos países árabes.
Já Netanyahu, sob pressão dos parceiros de governo da extrema direita para impedir que a Autoridade Palestina governe Gaza, até agora não articulou uma proposta para um novo governo no pós-guerra.
“O fim da campanha militar deve se basear em um ato político”, disse Gallant, ontem, na entrevista.
Sob pressão das famílias dos reféns israelenses detidos pelo Hamas e outros militantes em Gaza, Gantz, o chefe do Partido de Unidade Nacional, e o seu vice, Gadi Eisenkot, estão pressionando para o início de novas negociações com o Hamas, com o intuito de trazer de volta os cerca de 130 reféns ainda detidos em Gaza, de acordo com a mídia israelense.
Enquanto isso, Netanyahu e Gallant, ambos do partido governista Likud, dizem que manter a pressão militar sobre o Hamas forçará o grupo a fazer concessões.
“Há, claramente, uma distinção entre os dois lados”, afirma Reuven Hazan, do Departamento de Ciência Política da Universidade Hebraica de Jerusalém. “Se dependesse de Gantz e Eisenkot, se amanhã o Hamas fizesse uma oferta para acabar com o conflito em troca da libertação de todos os reféns, eles aceitariam. Netanyahu diria não.”
Embora o primeiro-ministro e o seu ministro da Defesa estejam de acordo sobre a continuidade da guerra, eles estão cada vez mais em desacordo sobre quem deverá governar Gaza depois do conflito — uma questão que se torna mais urgente, à medida que Israel avança para uma fase de menor intensidade da guerra e busca evitar um aumento de tensão no enclave.
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O ex-chefe das Forças Armadas de Israel Benny Gantz e o premiê do país, Benjamin Netanyahu, que fazem parte do Gabinete de Guerra israelense — Foto: Tal Shahar, Yediot Ahronot/AP
Fonte: Valor Econômico


