O fundo Verde, liderado por Luis Stuhlberger, encerrou abril com forte valorização de suas cotas, com alta de 2,71% e já acumula no ano ganhos de 7,41%, ante 4,54% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) no período. Segundo a carta mensal aos cotistas, posições de renda variável no Brasil e no exterior trouxeram ganhos para a carteira, bem como a parcela comprada no real e em estratégias de juros reais nos Estados Unidos. As perdas vieram de posições em metais preciosos e no “hedge” em crédito na Arábia Saudita.
“A evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã foi determinada no início do mês pelo cessar-fogo entre as partes. Os mercados reagiram com bastante empolgação, mas a questão do estreito de Ormuz continua sem resolução – os iranianos tentando consolidar controle e pedagiar o fluxo de navios, enquanto os americanos (e o resto do mundo) argumentam que tal solução é inviável. Isso levou a uma alta do preço do petróleo na segunda metade do mês, revertendo a maior parte do otimismo inicial com a parada das hostilidades”, descreve a equipe de gestão da Verde no relatório enviado aos cotistas.
“A postura do presidente Trump nos últimos dias indica uma baixa tolerância para retomada de ataques militares, e os persas tentam construir alavancagem negocial a partir dessa percepção.”
Apesar de indicativos de que um acordo pode ser selado com a colaboração da China, o time de gestão diz não estar confortável com tal conclusão. Enquanto o conflito não se resolve, os estoques do mundo, tanto no petróleo cru quanto em seus derivados, vão sendo consumidos. A avaliação é que em meados de junho o mundo pode entrar numa fase mais aguda de necessidade de destruição de demanda. Assim, o fundo voltou a ter proteções via opções para um cenário de preços de petróleo mais altos.
Apesar da guerra, a Verde destaca que o grande tema do mês foi a forte alta das ações ligadas ao ciclo de investimento em inteligência artificial. A explosão de demanda por capacidade computacional e de memória, a partir do crescimento exponencial do consumo de tokens por ferramentas como Claude Code e OpenAI Codex, é dinâmica dominante no mercado acionário americano (e outros como Coreia e Taiwan). “Temos visto revisões positivas de expectativa de lucro das empresas americanas, especialmente daquelas ligadas a semicondutores e os chamados hyperscalers, dinâmica confirmada na recente temporada de divulgação de resultados das empresas.”
Com isso os mercados responderam com performance forte, com o S&P 500 com alta de 10,4% e o Nasdaq com valorização de 15,6% no mês passado – “e voltamos a discutir o tema do excepcionalismo americano”, aponta a Verde.
O Brasil, que vinha se beneficiando do fluxo de capital estrangeiro para a bolsa, viu em abril esse movimento ser refreado, com os primeiros sinais de saída do investidor global. Mesmo assim o real se valorizou 4,3%, enquanto o Ibovespa encerrou abril praticamente estável.
“No momento que os mercados mudaram seu foco da guerra (e petróleo) para a dinâmica de tecnologia e IA, a atratividade relativa do país, já num preço mais caro, ficou menor”, escreve o time de gestão da Verde. “Mantemos olhar atento para oportunidades que surjam nesse contexto se a correção do mercado local se aprofundar.”
O fundo manteve sua exposição em renda variável, tanto no Brasil quanto no mercado global. Na renda fixa local, o multimercado não tem posições direcionais.
Nos EUA, a alocação aplicada em juro real e comprada na inflação implícita foi mantida. O multimercado zerou a maior parte das posições de moedas por disciplina de risco mantendo apenas opções de compra no real.
O Verde segue alocado em ouro e prata e continua carregando uma compra de proteção de crédito da Arábia Saudita, além de ter voltado a montar posições compradas em petróleo via de opções. A alocação de crédito local foi mantida.
Fonte: Valor Econômico
