Por Valor — São Paulo
23/03/2023 10h17 Atualizado há 21 minutos
Os protestos continuam na França contra a reforma do sistema de aposentadoria do país mesmo após o governo aprovar a medida por decreto e sobreviver a dois votos de desconfiança – que, caso aprovados, derrubariam a proposta. Nesta quinta-feira (23), o nono dia de protestos fechou a entrada do principal aeroporto da França e teve a volta de diversas classes de trabalhadores às ruas.
O acesso ao terminal 1 do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, foi parcialmente bloqueado na manhã desta quinta-feira, forçando passageiros a acessarem o local a pé. Apesar das manifestações, a administração do local disse que os bloqueios não vão afetar o fluxo de voos.
Os serviços de transporte público, escolas e refinarias também foram afetados pelas manifestações, já que trabalhadores destes grupos voltaram às ruas.
A operadora das ferrovias francesas, a SNCF, estimou grandes interrupções de transportes nesta quinta-feira, com metade dos trens de alta velocidade parados e apenas um em cada cinco trens suburbanos operando em Paris.
A administradora do metrô de Paris, a RATP, disse que a disponibilidade de trens será reduzida na maioria das linhas e pediu para que a população da cidade trabalhe em casa se possível.
A autoridade de aviação civil da França, a DGAC, pediu às companhias aéreas que diminuam o total de voos diários que operam devido à falta de pessoal. É esperado uma redução de 30% nos voos saindo do aeroporto de Orly, em Paris, e uma redução de 20% dos voos dos aeroportos de Marseille, Toulouse e Lyon.
Segundo a DGAC, o número de voo continuará a ser reduzido no fim de semana.
Laurent Berger, líder do maior sindicato da França, o CFDT, disse ao canal francês “BFM TV” que Macron “aumentou a raiva” no país ao aprovar a reforma por decreto, enquanto que Celine Verzeletti, do sindicato CGT, mais alinhado a extrema-esquerda, acusou o presidente de estar “incendiando” o país
Devido à adesão de funcionários do setor de energia as greves desta quinta-feira, a produção de eletricidade também foi reduzida,
Os protestos também afetaram a produção em petroleiras e bloquearam um terminal de distribuição de gás natural na cidade de Dunquerque, no norte do país.
A proposta de Macron de aumentar a idade mínima da aposentadoria de 62 anos para 64 anos é rejeitada pela maioria da sociedade francesa. Uma pesquisa feita pelo jornal francês “Le Journal du Dimanche” mostrou que 79% das pessoas acham que o governo deveria abandonar a reforma devido aos protestos, enquanto uma pesquisa feita pela Harris Interactive mostrou que 61% da população considera legítima as greves.
Fonte: Valor Econômico
