2 Feb 2023 JESSICA BRASIL SKROCH JOÃO SCHELLER
A manutenção da taxa básica da economia (Selic) em 13,75%, anunciada ontem pelo Banco Central (BC) em meio às críticas do governo Lula ao atual nível do juro e ao aumento das expectativas sobre a inflação, reforça as recomendações de investimentos em renda fixa, especialmente nos títulos pós-fixados. Esses investimentos ficam favorecidos porque acompanham a alta da Selic, ressaltam especialistas ao Estadão.
“Esses investimentos são, normalmente, indicados para reserva de emergência ou para planos que não possuem uma data certa para se concretizar”, explica Camilla Dolle, head de renda fixa da XP Investimentos. É o caso de CDBS pós-fixados, Tesouro Selic e fundos DI.
Em geral, o mercado espera que o ano se encerre com uma taxa de 12,5%, como estimou o mais recente Boletim Focus do BC, ainda que as projeções possam variar de 10% a 14,75% em outras pesquisas.
De qualquer maneira, os juros não devem descer tão cedo, na avaliação de Rodrigo Cabraitz, head de alocação da Claritas, gestora de investimento. Por isso, as aplicações pós-fixadas indexadas ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) também são opções interessantes, segundo ele.
O especialista indica também as NTN-BS, conhecidas como Tesouro IPCA+, que pagam uma taxa de juros prefixada com rentabilidade indexada à inflação. “IPCA + 6% ou IPCA + 6,5% são opções bastante atrativas”, afirma o especialista. Esses investimentos são indicados para planos de médio a longo prazo, diz Camilla.
Entre os principais investimentos de renda fixa, o CDB 110% foi aquele com maior ganho real, descontada a inflação de 5,74% (estimada pelo Boletim Focus), como mostram os cálculos de Fábio Gallo, professor de Finanças da FGV-SP.
Com uma aplicação de R$ 1 mil, o investidor terá o retorno líquido de R$ 121,00, com ganho real de R$ 56,65. O ganho é mais de três vezes maior do que o da poupança com rentabilidade bruta de 8% ao ano, que teria, nas mesmas condições, ganho real de R$ 18,01.
Sobre os prefixados, Camilla alerta que é preciso mais cuidado, já que o mercado projeta uma taxa de juros alta por mais tempo. Nesse caso, o investidor precisa se atentar ao prazo e preferir vencimentos mais curtos, de até quatro anos. “Quanto mais curto o prazo, menos oscila. É importante o investidor entender bem a relação risco-retorno”, afirma.
INÍCIO DE GOVERNO. Nos últimos meses, as taxas de renda fixa tiveram alta movimentação, refletindo o risco fiscal, especialmente após as eleições. Camilla reforça que essas oscilações, comuns no início de novo governo, devem continuar. “Os que mais devem sofrer são os títulos mais longos e os prefixados”, afirma. Isso não quer dizer que esses investimentos não devam fazer parte da carteira, mas que é preciso compreender os riscos antes da aplicação.
Os investidores também devem ficar atentos às decisões que podem influenciar os seus próximos passos, especialmente as relacionadas à reforma tributária e ao arcabouço fiscal, alerta Cabraitz.
Já para os investidores de renda variável, as melhores opções devem girar em torno de empresas com maior fluxo de caixa, aponta Felipe Moura, sócio e analista da Finacap Investimentos. “Essas empresas geralmente tendem a distribuir muitos dividendos para os acionistas, e aí você naturalmente garante um fluxo de caixa”, explica, citando o caso da Petrobras, que fechou o ano de 2022 pagando mais de 50% de dividendos, somando seus proventos. •
Fonte: O Estado de S. Paulo