Apesar da mudança, ela não deve surtir efeito para milhões de mulheres do país, já que uma dúzia de estados proíbe o aborto durante a gravidez e 18 exigem que um médico esteja presente fisicamente para prescrever pílulas
Por Liz Essley Whyte, Dow Jones — Nova York
04/01/2023 13h09 Atualizado há uma semana
A agência sanitária dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) anunciou que liberou a venda de remédios que induzem ao aborto em farmácias do país. É a primeira vez que esse tipo de medicamento recebe permissão de venda para este tipo de estabelecimento.
Com a mudança nas regras anunciadas na terça-feira, qualquer farmácia pode vender os produtos, que não estão mais restritos a lojas online.
Apesar da mudança, ela não deve surtir efeito para milhões de mulheres do país, já que uma dúzia de estados proíbe o aborto durante a gravidez e 18 exigem que um médico esteja presente fisicamente para prescrever pílulas abortivas, prevenindo que médicos em teleconsultas prescrevam o medicamento, segundo o Guttmacher Institute, uma organização sem fins lucrativos que monitora o direito ao aborto.
Porém, com a mudança, mais médicos poderão se tornar certificados para prescrever pílulas abortivas, já que elas poderão ser compradas em lojas físicas. Pela regra anterior, médicos precisavam estocar os medicamentos, que só podiam ser vendidos online e demoravam dias para serem entregues. A nova modalidade de compra também pode encorajar mulheres, que não precisarão receber as pílulas via correios e podem comprá-las com mais sigilo.
A ação deve aprofundar as tensões entre os defensores do aborto e aqueles que negam o acesso ao medicamento, especialmente depois que a Suprema Corte anulou o caso Roe v. Wade no ano passado, que levou a questão do direito ao aborto para nível estadual.
Antes da pandemia, as mulheres só podiam tomar a pílula se tivessem receita médica. Durante a pandemia, o FDA permitiu que os médicos prescrevessem a pílula via teleconsultas e permitiu a venda das pílulas por correio.
A agência disse no final de 2021 que tornou a permissão da prescrição da pílula do aborto por teleconsulta de maneira permanente, embora alguns estados proíbam a prática.
Além de garantir a venda do produto em farmácias físicas, o FDA também consolidou a decisão anterior de permitir abortos por teleconsulta e acabou com a exigência de que a pílula fosse prescrita pessoalmente.
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— Foto: Pixabay
Fonte: Valor Econômico