Para Schmidt, ainda está cedo para avaliar o impacto das decisões de Trump na presidência dos EUA e a holding segue “bastante interessada” em alocar capital no país
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2022/s/u/6xiIMORfefP1Mi11aSuQ/foto17emp-101-voto-b5.jpg)
As políticas de Trump não mudam a estratégia da Votorantim S.A. no país, segundo o CEO da holding, João Schmidt, em entrevista ao Valor. No Brasil, também não há mudança de direção, afirmou. A companhia reforçou, neste mês, a sua posição na farmacêutica Hypera, e agora quer participar do conselho, em meio à disputa do fundador com a EMS.
Para Schmidt, ainda está cedo para avaliar o impacto das decisões de Trump na presidência dos EUA e a holding segue “bastante interessada” em alocar capital no país, por meio da Votorantim Cimentos e também da Altre, sua empresa de ativos imobiliários.
A Votorantim S.A. investe em 12 companhias, sendo a única acionista de quatro delas, incluindo a cimenteira e a companhia imobiliária.
Na América do Norte, a Votorantim Cimentos é uma sociedade da holding com o fundo de pensão canadense CDPQ, e há fábricas de cimento nos Estados Unidos e no Canadá. Trump tem estremecido a relação dos americanos com o país vizinho, por meio de sua política tarifária.
Sobre isso, a visão de Schmidt é que as economias desses países são muito integradas, e os EUA precisam importar cimento, material conhecido por não viajar longas distâncias. “Se tiver movimento que implique em tarifas muito explícitas, você tem que fazer ajuste, mas a demanda está lá [nos EUA]”, afirmou.
Risco de “superinterpretar” cenário americano
O executivo ressaltou que há o risco de se “superinterpretar” as consequências do cenário americano para o curto prazo, e que mais importante é estar atento ao que acontece com o fluxo do comércio no longo prazo.
Em entrevista ao Valor no último dia 19, após a divulgação do balanço anual da Votorantim Cimentos, o CEO da companhia, Osvaldo Ayres Filho, afirmou que a empresa tem um plano de contingência preparado e que não descarta subir preços nos EUA se necessário, mas que a operação ainda não havia sido afetada por aumento de tarifas.
Mais atuante na Hypera
Para Schmidt, a Votorantim S.A. já está suficientemente diversificada em segmentos de atuação. O setor mais recente no qual ingressou é saúde, com a compra de participação na Hypera.
Há três semanas, a empresa aumentou sua parcela de ações, de 5,1% para 11%, e fez um acordo para indicar dois membros ao conselho de administração. “Queremos apoiar a empresa na sua jornada de crescimento”, afirmou o executivo. Segundo ele, há potencial de crescimento inorgânico para a Hypera, com aquisições.
A farmacêutica vive uma disputa entre o fundador, João Alves de Queiroz Filho, e a EMS, que em outubro propôs uma fusão entre as empresas, recusada. Schmidt não comentou se a Votorantim pretende aumentar a sua participação na Hypera.
Apesar de o grupo já estar diversificado por setores, ele ainda vê espaço para mais diversificação geográfica. A estratégia é, no longo prazo, ter uma parcela maior dos negócios em países desenvolvidos. “Não preciso deixar de fazer Brasil para fazer isso”, ressaltou.
Nessa linha, em 2024, a empresa vendeu suas operações de cimento na Tunísia, em negócio finalizado nesta segunda-feira (31), e comprou uma produtora de concreto e agregados nos Estados Unidos.
Balanço anual
No ano passado, a Votorantim S.A. registrou lucro líquido de R$ 830 milhões, queda de 55% ante o R$ 1,8 bilhão de 2023.
A receita líquida da Votorantim cresceu 7% no mesmo intervalo, para R$ 51,8 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado cresceu 23%, para R$ 11,9 bilhões.
A empresa também calcula o Ebitda econômico, que considera sua participação nas empresas que entram em seu balanço na linha de equivalência patrimonial. Nesse indicador, houve alta de 47%, para R$ 12,5 bilhões.
A dívida líquida consolidada ficou em R$ 15,3 bilhões, aumento de 47% sobre o ano anterior. A alavancagem financeira, medida pela dívida líquida sobre o Ebitda ajustado, foi de 1,29 vez, ante 1,08 vez ao final de 2023.
A companhia segue considerando esse patamar “saudável”. A holding encerrou o ano com R$ 6,7 bilhões em caixa.
Schmidt destacou estar “bem satisfeito” com o desempenho no ano. O preço das commodities ajudou nas operações e houve controle de custos.
BV e Citrosuco
O BV (antigo Banco Votorantim) e a Citrosuco tiveram o maior resultado de suas histórias. Na Votorantim Cimentos, o lucro líquido caiu 59%, mas o Ebitda cresceu 16%, para R$ 6,5 bilhões, também recorde para a empresa.
No ano, também foi concluída a aquisição da AES Brasil pela AurenCotação de Auren — companhia de energia do grupo —, o que “mais do que dobra” a capacidade de geração da empresa de energia da holding, para 8,8 GW (gigawatt).
Fonte: Valor Econômico