Parisotto estaria alinhado com Carlos Sanchez, fundador da EMS, que tem cerca de 6% na companhia fundada por João Alves de Queiroz Filho, conhecido como Júnior, sua principal rival
A L.Par, fundo de investimento de Lírio Parisotto, está comprando mais ações da HyperaCotação de Hypera em bolsa e quer chegar a 5% do capital da empresa na data da assembleia geral ordinária (AGO), que votará o novo colegiado da farmacêutica, marcada para o dia 25 de abril, apurou o Valor. Hoje, o fundo do empresário possui cerca de 4% da companhia.
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Parisotto estaria alinhado com o empresário Carlos Sanchez, fundador da EMS, que possui cerca de 6% de participação na companhia fundada por João Alves de Queiroz Filho, conhecido como Júnior, sua principal rival no mercado farmacêutico.
Na semana passada, a L.Par indicou três candidatos ao conselho da companhia: o próprio Parisotto, além de Marcelo Gasparino, que é conselheiro hoje da EletrobrasCotação de Eletrobras e ValeCotação de Vale, e também Rachel Maia, que também é do colegiado da Vale.
Ao atingir 5% de participação, a L.Par pode chamar o voto múltiplo, sistema que permite que o acionista minoritário direcione todos seus votos em um único candidato. Ou seja, com isso pode garantir sozinho uma cadeira no conselho da rival.
Na carta que foi enviada pelo fundo à Hypera, a qual o Valor teve acesso, a L.Par disse que enxerga no setor farmacêutico “um potencial superior à média das demais indústrias nacionais”, e que o retorno da Hypera se deve, no momento, à “gestão e da governança corporativa, que indiscutivelmente podem ser melhoradas”.
“Tal visão é compartilhada por outro acionista de referência, que recentemente investiu e indicou nomes ao Conselho”, ainda segundo o documento, referindo-se, segundo fontes, a Sanchez. A carta reforça que o estatuto da companhia permite 11 membros no conselho, e que hoje apenas nove das cadeiras são ocupadas.
Ainda no documento, a L.Par informou que tentou contato com o diretor de relações com investidores da Hypera para comunicar formalmente sobre as indicações, mas sem sucesso. Sanchez, empresário dono da EMS, fez em outubro do ano passado uma oferta hostil pela Hypera, que foi rechaçada pela empresa.
O fundador da Hypera, para se blindar de novas tentativas, comprou mais ações da empresa e fechou um acordo de acionistas com Votorantim e a mexicana Maiores. Com esse movimentos, os três acionistas têm, juntos, 53% das ações do negócio.
A Hypera entrou com uma petição no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) buscando se defender da ofensiva de Sanchez, conforme informou o Pipeline, site de negócios do Valor, na semana passada.
A farmacêutica de Júnior quer entrar como parte da ação em que a concorrente pede ao órgão antitruste representação em seu conselho, por meio de terceiros. No documento protocolado, a Hypera afirma que a rival omitiu o histórico de sua abordagem, com uma oferta hostil para fusão em dezembro passado.
“O Grupo NC [dono da EMS] não apresenta ao Cade a verdadeira realidade dos fatos, que demonstram de forma clara e inequívoca sua real intenção: uma investida desenfreada, utilizando todos os meios possíveis, negligenciando os riscos concorrenciais existentes para influenciar a Hypera”, diz o documento.
No documento protocolado pela Hypera, a farmacêutica acusa o Grupo NC de tentar usar a posição como acionista minoritário para obter “informações concorrencialmente sensíveis” e utilizá-las em benefício próprio. Além disso, a farmacêutica caracteriza essa estratégia de comportamento anticompetivo.
“O real objetivo do Grupo NC é obter a aprovação da autoridade de defesa da concorrência para exercer os direitos políticos de todas as ações. Isso não foi dito de forma clara e objetiva”, diz a Hypera. O concorrente alega, de acordo com fontes, que o movimento é considerado ilegal.
O caso remete ao da CSNCotação de CSN e UsiminasCotação de Usiminas, que teve desdobramentos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O grupo de Benjamin Steinbruch começou a comprar participação na siderúrgica mineira, primeiramente como objetivo de obter o controle. Depois que teve seus planos frustrados, o empresário começou a pleitear direitos políticos na concorrente.
O órgão antitruste decidiu que a CSN perderia seus direitos políticos na Usiminas e determinou que o empresário venda suas ações na companhia, o que de fato ainda não aconteceu.
Procurada, Hypera não comenta o assunto. Em nota, a EMS esclarece que apresentou ao Cade a aquisição pelo Dodgers Fund de participacao minoritária (de 4% para 6%) em bolsa na Hypera, em conformidade com a previsão legal para transações envolvendo concorrentes. Nesta terça-feira, o CADE indeferiu o pedido da Hypera de acesso aos autos, mas determinou a criação de autos destinados ao acesso da companhia, para sua análise e manifestação.
A EMS frisa não possui quaisquer relações com Lírio Parisotto ou com a L Par. Parisotto não retornou os pedidos de entrevista.
Fonte: Valor Econômico