Investidores estrangeiros venderam um volume recorde de ações sul-coreanas em junho, ampliando para cinco meses consecutivos a sequência de retiradas, enquanto o rali do mercado impulsionado pela inteligência artificial perde força.
Investidores de fora do país venderam, em termos líquidos, US$ 32,37 bilhões em ações sul-coreanas no sexto mês de 2026, o maior valor desde que o Banco da Coreia começou a compilar os dados, em 2008, informou o banco central nesta terça-feira (14).
Segundo a instituição, as saídas de recursos aceleraram em relação a maio diante das preocupações com os elevados investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA), que pesaram sobre o sentimento dos investidores. A recente valorização das ações sul-coreanas também levou estrangeiros a realizar lucros e a rebalancear suas carteiras, acrescentou o banco central.
Investidores estrangeiros são vendedores líquidos de ações sul-coreanas desde fevereiro, quando o índice de referência Kospi iniciou uma disparada recorde. O índice atingiu uma série de máximas históricas ao longo do ano, mas a trajetória de alta não foi linear, com as autoridades intervindo diversas vezes para conter a volatilidade quando os movimentos de alta ou queda se tornaram excessivos.
No início deste mês, o Kospi entrou em território de mercado de baixa, acompanhando outros mercados concentrados em tecnologia, à medida que investidores passaram a questionar se o entusiasmo com a inteligência artificial se converterá em ganhos econômicos e de rentabilidade.
A alta dos preços do petróleo e dos rendimentos dos títulos, em meio ao recrudescimento das tensões geopolíticas, também provavelmente contribuiu para as dificuldades do Kospi, afirmou Ipek Ozkardeskaya, da Swissquote. Segundo ela, a venda de ações pode representar ainda uma correção após a disparada das fabricantes sul-coreanas de chips de memória.
Os movimentos do Kospi também têm impacto sobre o won, já que a conversão de recursos obtidos por investidores estrangeiros em moeda local para moedas estrangeiras pode pressionar a moeda sul-coreana.
O economista Jin-wook Kim, do Citi Research, afirmou que a relação entre as ações sul-coreanas e o won começou a se assemelhar à dinâmica entre as ações japonesas e o iene, com ganhos do mercado potencialmente levando a rebalanceamentos de carteiras e operações de proteção cambial.
Embora a pressão de saída de capital por parte de investidores estrangeiros tenha diminuído durante a recente correção do Kospi, ela pode voltar a acelerar caso o mercado retome a alta, disse Kim.
Enquanto isso, os títulos sul-coreanos continuam atraindo compradores estrangeiros. Investidores internacionais compraram, em termos líquidos, US$ 1,65 bilhão em títulos sul-coreanos em junho, segundo o relatório do Banco da Coreia, impulsionados parcialmente pela inclusão gradual do país no Índice Global de Títulos Públicos (WGBI).
Fonte: Valor Econômico

