Após o recente “sell-off” que afetou em cheio a bolsa brasileira, alguns sinais iniciais de retorno do interesse do investidor não residente pelas ações domésticas começaram a ser percebidos. Na mesa de operações de um grande banco estrangeiro, aumentou nos últimos dias a demanda por alguns papéis, como Vale e B3.
“Ainda é algo pequeno, mas talvez seja um primeiro ‘turning point’, ainda que muito, muito preliminar”, observa um profissional de renda variável desse banco em condição de anonimato. Essas blue chips, de fato, costumam ser bastante demandadas por investidores estrangeiros diante da maior liquidez dos papéis.
No acumulado da semana até o momento, os papéis ordinários da Vale sobem 0,83% e os da B3 têm queda de 1,44%. Já o Ibovespa recua 0,65% no período.
O profissional reitera uma visão positiva para as ações brasileiras de forma geral, mas ressalta que há uma piora no humor do mercado diante de fluxos direcionados para ações de tecnologia tanto em mercados desenvolvidos quanto nos emergentes, ao notar que papéis como TSMC, em Taiwan, e SK Hynix, na Coreia do Sul, têm se favorecido.
“Enquanto o humor do mercado continuar privilegiando o ‘play’ de tech por si só, fica difícil competir, até porque os vetores que favoreciam a nossa bolsa sumiram”, afirma o profissional, ao observar que o “play” de eleição enfraqueceu diante de uma maior chance de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos sites de aposta, como o Polymarket, e que o ciclo de cortes de juros virou uma incógnita relevante.
Fonte: Valor Econômico
