Instituições financeiras e consultorias aumentaram de 0,4 ponto percentual para 0,5 ponto o impacto esperado do El Niño sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2027. As medianas das estimativas constam no Questionário Pré-Copom (QPC), divulgado nesta quarta-feira (23) e que subsidia as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) para a definição da taxa Selic. O documento foi enviado em 4 de setembro para os respondentes, que puderam responder ao longo da semana seguinte. No dia 16, a diretoria colegiada do Banco Central (BC) cortou a taxa básica de juros de 14% ao ano para 13,75% ao ano.
Para 2026, os respondentes disseram que o impacto previsto do fenômeno climático continua em 0,3 ponto, o mesmo previsto no relatório anterior, de agosto.
As medianas das estimativas dos respondentes apontam que o IPCA será de 5% em 2026 e de 4,3% em 2027. A meta de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5% a 4,5%. Quando questionados sobre quanto do impacto do El Niño sobre a inflação está incorporado nas suas projeções, os números foram de 0,2 ponto em 2026 e de 0,3 ponto em 2027. Ou seja: as projeções para o indicador cheio não incorporam ainda todo o impacto esperado com o fenômeno climático.
Na avaliação de Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval, o El Niño terá impacto potencial de 0,8 ponto em 2026 e de 0,5 ponto em 2027. Ele incorporou efeito de 0,6 ponto e 0,3 ponto respectivamente. “O efeito do El Niño, embora significativo, tende a ser temporário e afetar, principalmente, os preços dos alimentos in natura. Portanto, o BC deve ver esse choque com cautela dado a conjuntura econômica citada”, disse.
Em sentido oposto, as instituições e consultorias financeiro diminuíram de 0,9 ponto em agosto para 0,8 ponto em setembro o impacto altista previsto pelos conflitos no Oriente Médio sobre a inflação de 2026.
O questionário mostrou que 111 instituições financeiras e consultorias esperavam que o Banco Central cortasse a taxa de juros em 0,25 ponto percentual na reunião da semana passada. Outras três disseram que haveria manutenção da Selic no mesmo patamar.
Para o próximo encontro, de novembro, havia 53 casas que esperavam corte adicional de 0,25 ponto na taxa básica. Foram 60 respostas que previam a interrupção do ciclo de flexibilização. Uma instituição questionada disse que a diminuição será de 0,5 ponto.
Em relação ao que consideravam que o Copom deveria fazer, e não o que esperavam que ele faça, a maioria das instituições financeiras e consultorias avaliava que a diretoria colegiada deveria interromper os cortes na taxa básica de juros no próximo encontro, em 3 e 4 de novembro. Eram 68 que defendiam manutenção da Selic em 13,75%. Outros 39 avaliam como apropriada uma nova redução de 0,25 ponto. Dois respondentes afirmaram que o BC deveria cortar em 0,5 ponto percentual.
Para Claudia Moreno, do C6 Bank, a Selic deveria permanecer em 13,75% ao ano na próxima reunião, em novembro, porque a inflação deverá permanecer elevada. A economista defendeu que, na última reunião do colegiado, a inflação corrente mais baixa, a desaceleração da atividade econômica e o câmbio comportado abriram as portas para um corte adicional de 0,25 ponto, mas o espaço será menor com uma economia ainda aquecida.
O Daycoval também projeta Selic de 13,75% ao ano no fim de 2026, com uma pausa no ciclo de calibração para reavaliar o balanço de riscos. “Projetamos a retomada dos cortes no próximo ano, viabilizada pela desaceleração acumulada da demanda e pela gradual dissipação dos choques de custos”, diz Cardoso.
Fonte: Valor Econômico


