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Depois do resultado mais fraco do que o esperado da atividade econômica no segundo trimestre do ano, o Ministério da Fazenda revisou para baixo a sua projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A expectativa é de avanço de 2% no ano, ante a projeção anterior de crescimento de 2,3%, feita em julho. Para 2027, a projeção para o crescimento econômico passou de 2,5% para 2,3%.
As previsões mais recentes foram divulgadas na terça-feira (22) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), no Boletim Macrofiscal, que traz uma atualização da grade de parâmetros macroeconômicos. Os novos números vão embasar a divulgação do relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas do Orçamento, que sai na quinta-feira (24).
A revisão do crescimento do PIB em 2026 foi puxada pelas projeções para os setores de serviços e da indústria. Segundo a pasta, a estimativa para crescimento do setor de serviços no ano caiu de 2,4% para 1,8% e a da indústria, de 2,1% para 1,7%. Esses movimentos, porém, foram “parcialmente compensados” pela agropecuária, cuja projeção passou de 1,8% para 2,8%.
Para a SPE, ainda que o endividamento das famílias siga estável em proporção da renda, “o comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo”.
Em relação ao setor industrial, o ajuste na projeção vem do desempenho da indústria de transformação, que segue pressionada pelo custo do crédito e pela demanda mais fraca por bens de consumo, enquanto a atividade extrativa continua sustentando o setor.
Para o resultado do PIB no terceiro trimestre do ano, a Fazenda espera um crescimento de 1,8% na comparação interanual, ante 2% no segundo trimestre. A desaceleração é explicada pela agropecuária e, em menor medida, pela indústria.
No último trimestre do ano, a previsão do governo é que o PIB volte a acelerar, com crescimento de 2,1% na comparação interanual, à medida que os efeitos da redução da taxa Selic iniciada em março começa a refletir gradualmente na economia. A taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano.
Em relação ao PIB de 2027, a SPE afirma que a revisão para baixo do crescimento da economia foi influenciada pelos efeitos defasados de transmissão da taxa Selic.
As revisões do PIB consideram um cenário de preço médio do barril de petróleo do tipo Brent ainda pressionado, devido ao conflito no Oriente Médio. Mas, para 2027, é esperada estabilização ao longo do tempo, ainda que em patamar mais elevado do que anteriormente. Entre a grade de parâmetros de julho e a de setembro, o preço médio do Brent projetado para 2026 passou de US$ 79,2 para US$ 87,7 por barril. Para 2027, subiu de US$ 71 para US$ 79,5.
No caso da inflação, o Ministério da Fazenda alterou de 5,1% para 4,9% a sua estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 2026. A projeção ainda fica fora da meta de inflação, que é de 3%, com teto de 4,5%. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) deve ficar em 5,1% neste ano, segundo a nova estimativa da Fazenda, ante projeção anterior de 5,3%.
Segundo a SPE, a revisão para baixo do IPCA em 2026 decorre dos resultados verificados até julho, em especial o desempenho fraco da alimentação no domicílio. A correção também incorpora a melhora das expectativas de inflação para 2026, a Selic ainda em patamar contracionista, mesmo com o início da flexibilização, e a desaceleração da atividade no segundo semestre.
Por outro lado, a previsão não incorpora as medidas recentes de subvenção e desoneração aos combustíveis. Isso porque os números foram fechados em 4 de setembro, antes do anúncio da continuidade dos subsídios devido à extensão da guerra no Oriente Médio. Os técnicos estimam que a desoneração da gasolina e do etanol hidratado, sem considerar a subvenção ao diesel, tem potencial para reduzir o IPCA em aproximadamente 0,15 ponto em 2026.
Para 2027, a estimativa para o IPCA foi revisada de 3,6% para 3,8%. O INPC, por sua vez, subiu de 3,7% para 3,9%. A revisão marginal para cima incorpora os efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra do próximo ano, além de um choque de fertilizantes.
Sobre o reajuste de 15% do Bolsa Família, a secretária de Política Econômica, Débora Freire, afirmou que a medida terá impacto positivo na atividade econômica em 2027, mas esse efeito tende a ser acomodado devido à desaceleração da economia e aos efeitos da política monetária.
O aumento do Bolsa Família “tende a contribuir positivamente para a atividade, mas é um vetor bem-vindo, dado esse cenário de desaceleração, e ele não conflita com a política monetária, porque estamos em um cenário de flexibilização”, disse Freire.
Os efeitos do reajuste do Bolsa Família não foram incorporados nas projeções, porque o anúncio foi feito depois do fechamento da grade de parâmetros.
Fonte: Valor Econômico


