A GEF Capital, uma gestora de private equity com foco em empresas de soluções para sustentabilidade, está olhando atentamente para o tema de minerais críticos. Com relacionamento de longo prazo junto a fundos multilaterais e bancos de desenvolvimento europeus, a casa de investimentos entende que a tese se tornou não apenas climática, mas também geopolítica.
“A questão dos minerais críticos vem também por um aspecto de busca por cadeias mais resilientes, principalmente tendo em vista a instabilidade com China, Rússia e Estados Unidos”, afirma a diretora de criação de valor e sustentabilidade da GEF Capital na América Latina, Fabiana Goulart. “Muitos investidores nos procuram justamente porque são de grandes bancos de desenvolvimento europeu procurando esse estreitamente de laços.”
Minerais críticos (ou terras raras) são componentes fundamentais para o desenvolvimento de baterias, eletrônicos e até equipamentos militares. O Brasil tem a segunda maior reserva desses minerais, com cerca de 21 milhões de toneladas, o que corresponde a 23% das reservas mundiais.
Em especial, seu uso em baterias torna os minerais críticos em uma indústria importante para a transição energética: “Não estamos olhando apenas para a questão da produção ou eficiência. Mais importante que isso é a reciclagem, a economia circular. É como lixo eletrônico, é possível capturar e aproveitar muitos metais”, afirma o diretor da GEF Capital na América Latina, Estevan Taguchi.
A gestora possui hoje um fundo em período de desinvestimento e outro com disponibilidade para entrar em uma ou duas empresas. No portfólio há companhias nos segmentos de produção de baterias, energias renováveis, reciclagem e soluções em agronegócio.
Para a casa, a alta demanda por energia nos data centers também fortaleceu o tema de eficiência energética. “Se a inteligência artificial levou o consumo de energia gerada para entre 6% e 7%, isso deve evoluir ainda para 10%. Então, estamos olhando para algumas derivadas, como climatização e subestação. São tendências bem recentes”, aponta Taguchi.
Ele avalia que atrair investidores brasileiros muitas vezes é difícil devido a concorrência com retornos atrativos vindos da renda fixa, além de um apetite pequeno pelo mandato da sustentabilidade. “Por outro lado, o apetite tem sido muito alto com os fundos multilaterais. Eles são nossos investidores principais”, diz Taguchi.
Na operação brasileira, a companhia recentemente se tornou a primeira no País a receber investimentos do Fundo Verde do Clima (CGF, na sigla em inglês), criado em 2010 pelos países-parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
O CGF entrou como investidor-âncora no veículo ainda em estruturação pela GEF. A gestora também foi a primeira, e até agora única, a receber o Fundo de Investimento Europeu no Brasil. Além do escritório no Brasil, a GEF também atua nos Estados Unidos e na Índia. Globalmente, a casa tem US$ 3 bilhões sobre gestão no mundo. No Brasil, o valor é de aproximadamente US$ 400 milhões (ou R$ 2 bilhões).
Fonte: InfoMoney
