Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28) que deixaram a Opep e a Opep+, desferindo um duro golpe nos grupos de países exportadores de petróleo e em seu líder de fato, a Arábia Saudita, em um momento em que a guerra com o Irã provocou um choque energético histórico e abalou a economia global. O anúncio foi feito por meio da agência estatal de notícias WAM.
“Essa decisão reflete a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e a evolução de seu perfil energético, incluindo o investimento acelerado na produção doméstica de energia, e reforça seu compromisso com um papel responsável, confiável e voltado para o futuro nos mercados globais de energia”, afirmou o país.
A surpreendente saída dos Emirados, membro histórico da Opep, pode gerar desorganização e enfraquecer o grupo, que normalmente busca apresentar uma frente unida apesar de divergências internas sobre temas que vão de geopolítica a cotas de produção.
Os produtores do Golfo que integram a Opep já enfrentavam dificuldades para exportar pelo Estreito de Ormuz, estreito corredor marítimo entre Irã e Omã por onde normalmente passa um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo, devido a ameaças e ataques iranianos contra embarcações.
Mas a saída dos Emirados representa uma grande vitória para o presidente dos EUA, Donald Trump, que acusou a organização de “explorar o resto do mundo” ao inflar os preços do petróleo.
Trump também vinculou o apoio militar americano ao Golfo aos preços do petróleo, dizendo que, enquanto os EUA defendem os membros da Opep, eles “exploram isso impondo preços elevados”.
A decisão ocorre após os Emirados — centro regional de negócios e um dos aliados mais importantes de Washington — criticarem outros Estados árabes por não fazerem o suficiente para protegê-los dos numerosos ataques iranianos durante a guerra.
Anwar Gargash, assessor diplomático do presidente dos Emirados, criticou a resposta árabe e do Golfo aos ataques iranianos durante sessão do Fórum de Influenciadores do Golfo na segunda-feira.
“Os países do Conselho de Cooperação do Golfo apoiaram uns aos outros logisticamente, mas politicamente e militarmente, acho que sua posição foi a mais fraca da história”, disse Gargash.
“Eu esperava essa postura fraca da Liga Árabe e não me surpreende, mas não esperava isso do Conselho de Cooperação do Golfo, e isso me surpreende”, afirmou.
Fonte: Valor Econômico
