A economia brasileira em janeiro mostrou saldo positivo em todas as comparações, segundo o Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas (FGV). A atividade econômica do país subiu 0,1% em janeiro ante dezembro de 2023, com aumentos de 4,1% ante janeiro de 2023; e de 3% no trimestre finalizado no primeiro mês do ano, ante igual período do ano anterior apontou o indicador da fundação.
Para Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Economia da fundação (FGV Ibre), o indicador sinaliza que, no começo do ano, a economia mostra-se melhor do que o esperado.
“Todos estavam com perspectiva pior [para a economia] neste ano, se falou até em crescimento [do PIB] menor que 1%”, lembrou, a citar projeção veiculada no fim do ano passado. “E agora o Focus está projetando crescimento de quase 2%”, notou. Ele citou projeção do boletim Focus do Banco Central, que abrange projeções do mercado financeiro. No boletim, também veiculado ontem, a previsão para expansão do PIB de 2024 subiu de 1,78% para 1,80%. “Eu acho que 2024 não vai ser um desastre [para a economia] como algum esperavam”, resumiu.
Uma das razões para esses resultados e perspectivas positivas, tanto no monitor quanto no Focus, continuou ele, é a continuidade de quadro favorável na demanda interna. No indicador da FGV, o consumo das famílias subiu 1,1% em janeiro ante dezembro do ano passado, maior taxa desde fevereiro de 2023 (1,6%). Na comparação com janeiro de 2023, a alta foi de 5,7%, mais forte alta desde outubro de 2022 (6,1%). No trimestre encerrado em janeiro, houve alta de 3,6% ante mesmo período no ano passado, melhor resultado o primeiro trimestre de 2023 (3,9%).
As taxas positivas não ficaram somente pelo lado da demanda, no Monitor do PIB. Pelo lado da oferta, outro destaque positivo do indicador da fundação foi o setor de serviços, que representa quase 70% da atividade econômica. Houve aumentos de 0,1% em janeiro ante dezembro; de 3,7% ante janeiro de 2023; e de 2,7% no trimestre encerrado em janeiro, na economia de serviços.
Os bons sinais do mercado de trabalho nos últimos meses, principalmente do mercado formal e da renda do trabalho, podem ter contribuído positivamente para consumo das famílias e em serviços.
“Todos sabem que emprego formal conta com renda maior [do que a informalidade]” lembrou Considera. Isso, na prática, ajudou a impulsionar consumo interno como um todo, bem como serviços.
Além disso, notou o especialista, a agropecuária, que impulsionou o crescimento de 2,9% na economia em 2023, continua positiva, no começo do ano. Esse setor teve aumentos de 6,8% em janeiro ante dezembro; com elevações de 2,4% na comparação com janeiro de 2023; e de 1,5% no trimestre finalizado em janeiro.
Os sinais positivos na economia delineados no Monitor do PIB vão ao encontro de outro contexto favorável para 2024: a realização de eleições municipais neste ano, ressaltou ainda o coordenador. “Há perspectiva de prefeitos [em busca da reeleição] com recursos fazerem obras”, notou. Esse aspecto pode ser grande impulso para construção dentro do PIB, frisou ele. No Monitor do PIB, essa atividade caiu 4% em janeiro ante dezembro, embora tenha crescido 1,7% e 1,5%, respectivamente, ante janeiro de 2023 e no trimestre encerrado em janeiro.
“Acho que esses pontos apresentam boa perspectiva [para a economia] neste ano”, resumiu.
Fonte: Valor Econômico
