O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou um vídeo nas redes sociais nesta terça-feira (11) afirmando que o domínio do país no “Hemisfério Ocidental jamais será questionado novamente”, ao traçar uma linha do tempo sobre como a Doutrina Monroe moldou a política externa americana na região por mais de dois séculos.
Com pouco mais de cinco minutos, o vídeo apresenta episódios históricos em que os EUA se opuseram à presença ou à intervenção de potências europeias nas Américas e descreve a evolução da Doutrina Monroe, apresentada pelo presidente James Monroe em 1823, de uma política de contenção da influência europeia para uma justificativa para a primazia regional dos EUA.
“O que começou como um alerta às potências europeias evoluiu para uma estrutura de domínio regional — uma estrutura que continua sendo a pedra angular da estratégia americana no hemisfério atualmente”, afirma o embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera, que narra o vídeo.
A gravação cita desde o uso da doutrina para impedir a intervenção europeia no México, no século 19, até a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, quando o presidente John F. Kennedy invocou a doutrina para exigir a retirada dos mísseis soviéticos da ilha.
Segundo a narrativa, o ex-presidente Theodore Roosevelt transformou a doutrina de um “escudo” contra a interferência europeia em um “mandato” para que os EUA interviessem em países latino-americanos em situações de “caos ou instabilidade”.
Na parte final, o Departamento de Estado conecta essa trajetória histórica à política do atual governo do presidente Donald Trump.
“Avançando para a era moderna, a doutrina encontrou seu mais recente defensor no presidente Trump”, afirma Cabrera, acrescentando que a Operação Absolute Resolve, em que os EUA capturaram Nicolás Maduro, enviou “um claro sinal a todo o hemisfério” .
A publicação ocorre em meio à tentativa do governo Trump de reforçar a influência americana na América Latina, demonstrando seu apoio a governos de direita da região, como o do presidente argentino, Javier Milei, e o do recém empossado presidente da Colômbia, Abelardo De La Espriella.
Recentemente, essa influência provocou um novo choque diplomático entre EUA e China na Argentina. A embaixada chinesa em Buenos Aires acusou os EUA de hipocrisia na quinta-feira, depois que uma cooperativa de energia elétrica da província argentina de Neuquén denunciou que a embaixada americana ameaçou revogar os vistos de seus dirigentes por causa de um acordo com a gigante chinesa de telecomunicações Huawei.
O embate diplomático ocorre enquanto Milei mantém um delicado equilíbrio entre a proximidade com Trump, seu principal aliado na região, e o fortalecimento dos vínculos econômicos com a China, um de seus maiores parceiros comerciais.
Fonte: Valor Econômico

