Por Alessandra Saraiva — Do Rio
18/05/2022 05h00 Atualizado há 5 horas
A inflação apurada pelo Índice Geral de Preços -10 (IGP-10) de maio caiu para 0,10%, ante 2,48% em abril, a menor desde dezembro de 2021 (-0,14%), e favorecida por quedas de preços em commodities no atacado, e em tarifa de energia no varejo informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).
A taxa menor não representa começo de alívio inflacionário, informou o economista da FGV Matheus Peçanha. Para ele, o que ocorreu no indicador neste mês foi um “oásis de desaceleração” de preços em poucos produtos, no atacado e no varejo, e que não deve se repetir no desempenho dos outros Índices Gerais de Preços (IGPs) do mês ainda a serem divulgados pela fundação – no caso, IGP-DI e IGP-M, esse último usado para cálculo de reajuste de aluguel.
Ao detalhar a evolução do IGP-10 de abril para maio, o técnico comentou que os preços no atacado, 60% do total do índice, caíram 0,08% no âmbito do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), um dos três subindicadores do IGP-10, ante alta de 2,81% em abril. Todas as principais commodities pesquisadas pelo indicador apresentaram recuo no indicador de maio, como milho (8,49%); soja (3,36%); farelo de soja (8,72%); bovinos (3,63%); e minério de ferro (3,66%).
Mas, para o especialista, o IGP-10 de maio representa cenário inflacionário que não mais existe. Ele ressaltou que o índice não contempla dois impactos importantes, novos, que ajudarão a puxar para cima a inflação do mês apurada por outros IGPs. Isso porque a coleta de preços para cálculo do índice vai até o dia 10 de maio. Nesse dia, começou a vigorar o reajuste do preço do diesel anunciado um dia antes pela Petrobras. Ao mesmo tempo, ao longo desse mês, começou a ser falado sobre possível impacto de geadas de inverno a afetar colheitas, que reduzem oferta e elevam preços.
Portanto, para o especialista, esses fatores, não computados no IGP-10, devem elevar taxas do IGP-DI e do IGP-M deste mês.
Fonte: O Estado de S. Paulo