Ainda que esteja cedo para apontar direções claras para a trajetória das moedas de países desenvolvidos com o novo acirramento das tensões entre Estados Unidos e Europa envolvendo a Groenlândia, o franco suíço emerge como um possível beneficiado, ainda que seu valuation caro deva limitar uma apreciação significativa adiante. Ainda, segundo o J.P. Morgan, a direção do par euro/dólar deve responder a dois fatores: um eventual enfraquecimento do crescimento na zona do euro e como a demanda global por ativos americanos pode mudar com o acirramento das tensões geopolíticas.
Segundo os estrategistas da equipe global de câmbio, Meera Chandan, James Nelligan e Octavia Popescu, a recomendação comprada em euro contra dólar via opções, por ora, está mantida, ainda que as incertezas mantenham a convicção na aposta como baixa.
“Em resumo, os riscos para o euro/dólar são bidirecionais, dependendo da sequência entre um impacto no sentimento e crescimento econômico e potenciais fluxos de repatriação; o franco suíço seria o beneficiário mais claro, mas a força provavelmente será limitada pelo valuation”, apontam
Ainda, segundo eles, a estratégia de carrego elevado da região também podem estar em risco, com quaisquer fluxos potenciais de repatriação provavelmente compensando e isolando a coroa sueca. “Qualquer pico relacionado na volatilidade também seria problemático para as cestas de ‘carry’ de câmbio, onde o ‘amortecedor dos juros’ é bastante baixo e nossa equipe de mercados emergentes tornou-se neutra em relação às moedas emergentes”, afirmam.
Eles notam que do ponto de vista do crescimento econômico e do sentimento relacionado à zona do euro, a robustez da atividade americana já vem reduzindo o espaço para o otimismo com o euro. “A dinâmica de crescimento relativa tem sido favorável aos EUA, com uma variação de 0,75 p.p a favor dos EUA desde dezembro, reduzindo em cerca de 2% o valor justo do EUR/USD, de acordo com nossas estimativas. Portanto, qualquer revisão negativa das previsões de crescimento da zona do euro seria problemática para a nossa visão otimista para o euro e poderia levar a uma reavaliação”, afirmam.
Por outro lado, os estrategistas notam que o risco de “desdolarização” deve continuar sendo monitorado. Eles apontam que o tema teve destaque após o “Liberation Day”, quando grande venda de ativos norte-americanos ocorreu no mês de abril, ainda que o movimento tenha sido de curta duração.
“É possível fazer uma análise mais detalhada dos maiores vendedores de ativos dos EUA durante esse período — China e Canadá. As tensões dos EUA com esses dois países se intensificaram ao longo de 2025. A China tornou-se um vendedor consistente de dívida dos EUA a partir de 2024, e isso só se intensificou em 2025. Enquanto isso, as compras de dívida dos EUA pelo Canadá em 2025 atingiram o nível mais baixo em uma década”, lembram.
Os profissionais do J.P. Morgan lembram que a zona do euro é, de longe, a maior detentora de títulos dos EUA em termos nominais, com US$ 9,8 trilhões – US$ 5,5 trilhões em ações e US$ 2 trilhões em títulos do Tesouro. “Outros países afetados não são detentores tão grandes em termos nominais. Por exemplo, o Reino Unido está em segundo lugar, com US$ 3,7 trilhões, e os outros são ainda menores, mas os números são grandes quando dimensionados para o PIB local”, notam.
Fonte: Valor Econômico