Enquanto gestores veem amplo espaço para valorização de bolsa, câmbio e juros, a depender do resultado do primeiro turno da eleição, as perspectivas para o crédito privado são menos óbvias.
Um cenário de queda firme dos juros, com uma perspectiva de melhora das contas públicas, seria positivo para o ambiente corporativo, que já vem há algum tempo sofrendo com uma política monetária altamente restritiva e despesas financeiras elevadas. O recuo das taxas também poderia gerar ganhos de marcação a mercado em títulos prefixados e indexados à inflação, embora reduzisse a remuneração dos papéis atrelados ao CDI.
Por outro lado, gestores avaliam que esse cenário poderia ampliar o interesse por outras classes de ativos e exacerbar uma dinâmica de resgates em fundos de crédito que vem ganhando corpo recentemente.
Num ambiente em que os juros seguem em níveis elevados por mais tempo, a lógica se inverteria. O risco de deterioração da capacidade de pagamento das empresas aumentaria, o que participantes do mercado classificam como um fator de atenção. Por outro lado, a classe de ativos poderia se manter relativamente mais atrativa, como ocorreu durante o governo atual. Com rendimentos mais elevados, a isenção tributária das debêntures incentivadas também representa uma economia maior de imposto para o investidor.
Considerando os dois cenários, profissionais ouvidos pelo Intraday afirmam que, mesmo com uma atratividade um pouco menor frente aos demais ativos do mercado, o cenário de juros mais baixos seria mais positivo. Entre os gestores ouvidos, prevalece a avaliação de que a Selic está em níveis muito elevados e de que um recuo para a casa dos 10% ou 11% ainda seria suficiente para manter a atratividade dos títulos privados, com menor pressão sobre a capacidade de pagamento das empresas.
O mercado, recentemente, passou a se afastar de papéis de companhias com maior alavancagem em diversos setores. Na visão do gestor de uma importante casa, esses títulos podem apresentar desempenho superior se o resultado eleitoral levar à queda dos juros e à melhora da percepção sobre a capacidade de pagamento.
Há ainda outra discussão que ganha corpo na Faria Lima e no Leblon, já que existe uma expectativa de que uma eventual agenda de ajuste fiscal inclua a redução de benefícios tributários, independentemente do vencedor. Como revelou uma pesquisa recente feita pelo ABC Brasil, é quase consenso entre os participantes do mercado que as debêntures incentivadas seguirão isentas adiante.
Por outro lado, investidores esperam que títulos bancários — LCIs, LCAs e LIGs — passem a ser, de algum modo, tributados. Isso poderia, segundo gestores, se transformar em um novo gatilho de procura pelas debêntures incentivadas, a exemplo do que ocorreu em outubro do ano passado, durante as discussões no Congresso Nacional sobre possíveis mudanças na tributação dos títulos no âmbito da MP 1303, que perdeu a validade.
Fonte: Valor Econômico


