Por Owen Walker — Financial Times
28/07/2022 05h02 Atualizado há 58 minutos
O Credit Suisse planeja encolher suas operações de banco de investimento sob o comando do novo executivo-chefe Ulrich Körner, em meio à batalha para voltar ao lucro e reverter a queda de suas ações. Ontem, o banco suíço empossou Körner, que liderava a gestão de ativos desde março de 2021, em substituição a Thomas Gottstein, que está de saída após liderar a instituição de 166 anos durante um de seus períodos mais tumultuados na história.
Como parte de uma série de mudanças generalizadas, o Credit Suisse iniciou uma “abrangente” reavaliação de suas operações, que terá como foco encolher a área de banco de investimento, deficitária, e conseguir grandes cortes de custos em toda a empresa, que tem 45 mil funcionários.
“Nosso objetivo precisa ser tornar-nos um grupo mais forte, simples e eficiente, com retornos mais sustentáveis”, disse o presidente do conselho de administração, Axel Lehmann. Körner, que trabalhou com Lehmann quando ambos estavam no banco rival suíço UBS, terá pela frente o desafio duplo de reanimar os lucros sem arriscar-se a mais escândalos como os que assolaram o banco nos últimos anos.
Os planos para uma revisão estratégica – a segunda do Credit em menos de um ano – chegam enquanto o balanço do segundo trimestre coloca em evidência o tamanho do dano que o banco de investimento vem causando a seus resultados.
A área de banco de investimento teve um prejuízo de 1,2 bilhão de francos suíços no trimestre, depois de as receitas caírem cerca de 35% tanto na corretagem quanto nas operações de emissões de renda fixa e variável. O Credit Suisse prevê mais prejuízos com seu banco de investimento no terceiro trimestre.
O fraco desempenho do banco de investimento contribuiu para um prejuízo líquido geral no trimestre de 1,6 bilhão de francos suíços (US$ 1,7 bilhão), depois de as receitas terem recuado 29% em comparação ao mesmo período de 2021. O prejuízo é bem maior do que o previsto por analistas, de 206 milhões de francos.
O Credit Suisse anunciou que David Miller e Michael Ebert administrarão o banco de investimentos, enquanto o executivo-chefe da unidade, Christian Meissner, se concentrará em sua transformação estratégica.
As divisões de gestão de grandes recursos e de ativos, que o Credit Suisse vem tentando expandir, não conseguiram compensar o fraco desempenho do banco de investimento. O lucro antes de impostos no negócio de gestão de grandes recursos caiu para 114 milhões de francos, 74% a menos do que há um ano, enquanto as receitas da divisão de gestão de ativos caíram 25%.
“Nossos resultados do segundo trimestre de 2022 são decepcionantes, especialmente no banco de investimento, também sendo impactados pelo aumento das provisões para litígios e outros itens de ajuste”, disse Gottstein, acrescentando que estava saindo “por considerações pessoais e relacionadas à saúde”.
As conclusões da revisão estratégica serão anunciadas juntamente com os resultados do terceiro trimestre, em outubro. O Credit Suisse anunciou que incluirá uma redução significativa de custos, de cerca de 17 bilhões para 15,5 bilhões de francos suíços no médio prazo, a ser alcançada por meio de eficiência de custos e transformação digital.
Neste mês, as ações do Credit Suisse atingiram o menor patamar em 30 anos, acumulando desvalorização de 40% em 2022. Ontem, os papéis do banco fecharam em alta de 1,01%.
Ainda assim, os analistas mostravam-se céticos quanto à capacidade do banco de atingir as metas de corte de custos.
“Precisaríamos ver mais detalhes sobre o plano, [por exemplo] quanto da economia de custos se refere à transformação do banco de investimento, antes de dar ao Credit Suisse o benefício dessas economias de custos planejadas, pois acreditamos que o banco também precisa continuar com os investimentos, em particular, em tecnologia”, disse Kian Abouhossein, analista do J.P. Morgan. Körner foi contratado para chefiar o braço de investimentos do Credit Suisse logo após a quebra da Greensill Capital, que levou o banco suíço a fechar US$ 10 bilhões em fundos na primavera europeia de 2021.
Ontem o Credit Suisse também anunciou que reservou 434 milhões de francos em provisões para litígios legais e destacou que até US$ 200 milhões se referem às investigações regulatórias nos Estados Unidos sobre o uso de ferramentas de mensagens pessoais para se comunicar com clientes. Vários bancos de Wall Street separaram quantias na faixa da multa de US$ 200 milhões relacionada ao assunto que foi paga pelo J.P. Morgan em 2021.
Fonte: Valor Econômico

