Por Augusto Decker, Valor — São Paulo
05/09/2023 16h15 Atualizado há 2 horas
Apesar da performance mais fraca das ações brasileiras nos últimos dois meses, o Bank of America (BofA) continua com recomendação “overweight” (o equivalente a compra) no país em seu portfólio. Embora o mercado não precifique mais uma aceleração no ritmo de corte de juros pelo Banco Central, o impulso do processo de flexibilização monetária para a bolsa ainda não foi sentido por completo na avaliação dos estrategistas do banco.
“Vemos espaço para ‘valuations’ mais altos no nível atual de juros”, afirma o chefe de economia para Brasil e de estratégia para América Latina do BofA, David Beker, e equipe. “E investidores na nossa enquete anual esperam que haja rotação de recursos para ações quando a Selic alcançar os 10%”, aponta. Os profissionais do banco destacam, ainda, que a saída de fundos locais já desacelerou nos últimos três meses.
O banco destaca que as propostas de mudanças tributárias e a incerteza com políticas públicas foram algumas das notícias negativas recentemente. “Outra camada de preocupação é a desconexão entre as histórias micro e macro”, aponta o relatório do BofA. “A atividade foi forte no segundo trimestre, impulsionada pela recuperação em investimentos, enquanto o setor corporativo tem dificuldades de mostrar melhora nos resultados.”
Os estrategistas do BofA enfatizam que preferem nomes e setores com exposição a juros em seu portfólio. O banco removeu a Totvs e acrescentou a Locaweb, “no tema de juros mais baixos e expectativa de melhora na tendência operacional nos próximos trimestres”. Além disso, o banco também aumentou a exposição ao petróleo, elevando a Petrobras de “underweight” (abaixo da média do mercado) para “marketweight” (peso em linha com o do mercado).
Fonte: Valor Econômico


