Por Gloria Li, Qianer Liu, Primrose Riordan e Edward White — Financial Times, de Hong Kong e Seul
18/11/2022 05h01 Atualizado
Um surto de covid-19 numa das maiores cidades da China está criando uma situação crítica após protestos públicos e um intenso debate entre autoridades sobre orientações conflitantes de Pequim quanto a como lidar com o recente recorde de casos.
Líderes regionais do Partido Comunista em Guangzhou, com população de 18 milhões e é capital da província de Guangdong, no sul da China, foram pegos entre relaxar algumas medidas de combate à covid ao mesmo tempo que tentam conter o surto.
“As autoridades estavam discutindo a necessidade de isolar a cidade na semana passada, pois o número de casos vinha aumentando tanto a ponto de causar pânico no governo”, disse um assessor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da província de Guangdong. O dilema enfrentado pelas autoridades locais está sendo observado atentamente como um teste crítico para a política de tolerância zero com a covid defendida pelo presidente Xi Jinping, depois que Pequim sinalizou na semana passada planos de flexibilizar algumas exigências de quarentena e rastreamento de contatos.
Há incerteza crescente sobre como as autoridades responderão a um aumento nos surtos da variante ômicron no país mais populoso do mundo, incluindo Pequim e a megacidade de Chongqing, na região sudoeste. Há também questionamentos sobre a sustentabilidade financeira da política de covid zero, já que os governos locais estão ficando sem recursos para pagar testes diários em massa.
Guangzhou registrou mais de 33 mil casos desde outubro. Os casos atingiram o recorde de 8.761 na quarta-feira, mais que o dobro da taxa registrada durante o pico do surto deste ano em Xangai.
Desde segunda-feira lockdowns estão em vigor em áreas responsáveis por mais de 15% do PIB chinês, número que na semana passada era de 12%, segundo dados da consultoria Nomura.
“É difícil executar as diretrizes de flexibilização de Pequim e ainda manter a covid em patamar zero”, disse um morador de Guangzhou, referindo-se às mudanças frequentes nos requisitos diários de testagem da covid.
Embora Guangzhou tenha evitado uma lockdown em toda a cidade, ao menos 9 milhões de moradores de 5 dos 11 principais distritos enfrentam restrições duras de movimentação e precisam realizar testes diariamente.
O governo local suspendeu na sexta-feira a quarentena para contatos próximos de pessoas com covid, tentando se alinhar a algumas das novas regras de Pequim.
Entretanto, as condições em Guangzhou causaram uma enxurrada de protestos isolados, concentrados principalmente nas chamadas vilas urbanas, grupos de cortiços que abrigam principalmente famílias mais pobres.
Um trabalhador migrante de 35 anos, de sobrenome Wang, que mora na vila urbana de Shangchong e está confinado há três semanas, disse os moradores estão furiosos por estarem trancados.
Fonte: Valor Econômico