Por Valor, com Nikkei Asia — São Paulo
20/09/2023 10h43 Atualizado há 22 horas
A China acusou os Estados Unidos de hackearem os sistemas da Huawei de maneira contínua desde 2009, um novo capítulo das tensões entre os dois países. O Ministério de Segurança do Estado da China divulgou nesta quarta-feira (20), em sua conta oficial do WeChat, nota intitulada “Revelando os principais métodos desprezíveis das agências de inteligência dos EUA em espionagem e roubo cibernético”.
A postagem acusa explicitamente os EUA de praticarem espionagem contra a gigante chinesa da tecnologia Huawei. O texto também responsabiliza Washington por induzir grandes e influentes empresas de tecnologia instalem softwares, aplicativos e equipamentos para roubar dados de países como China e Rússia.
“Em 2009, o Escritório de Operações de Acesso Personalizado começou a se infiltrar nos servidores da sede da Huawei e continuou conduzindo operações de vigilância”, disse a postagem do ministério. O Departamento de Estado dos EUA ainda não respondeu a um pedido de comentário.
Espionagem global
À medida que as tensões geopolíticas aumentam, os EUA e a China têm expandido as operações de espionagem global, segundo fontes a par do tema. O “Wall Street Journal” disse em julho que hackers ligados a Pequim acessaram a conta de e-mail do embaixador dos EUA na China em uma operação onde centenas de emails podem ter sido vazados.
A postagem desta quarta-feira diz que o Centro Nacional de Resposta a Emergências contra Vírus de Computador da China extraiu um spyware chamado Second Date enquanto investigava um ataque cibernético à Universidade Politécnica do Noroeste em Xi’an, ocorrido no ano passado.
O ministério descobriu que o Second Date é um “malware de ciberespionagem desenvolvido pela Agência de Segurança Nacional dos EUA, que opera secretamente em milhares de redes em muitos países ao redor do mundo”.
O Second Date foi extraído com a ajuda da Qihoo 360, uma empresa chinesa que divulga de tempos em tempos descobertas sobre atividades de hackers dos EUA contra a China, segundo a emissora estatal “CCTV”.
“Os EUA obtiveram o controle de dezenas de milhares de dispositivos e roubaram uma quantidade substancial de dados de alto valor”, disse o ministério.
Nos últimos dois meses, a mídia estatal chinesa, incluindo a “CCTV” e a “Xinhua”, chamaram os EUA de “um verdadeiro império de hackers”, citando o suposto ataque à Universidade Politécnica do Noroeste.
A China intensificou as tentativas de impedir a atuação de espiões, revisando a lei anti-espionagem para colocar um foco maior na prevenção de ataques cibernéticos contra agências governamentais e unidades de infraestrutura essencial. Uma violação pode levar à prisão perpétua.
Fonte: Valor Econômico