O mercado brasileiro de ações vive um momento propício para sua recuperação, depois que o valuation das empresas foi comprimido, em meio à volatilidade nos mercados globais gerada pela guerra no Irã. A avaliação é dos gestores de ativos que participaram do evento Inteligência em Foco: Brasil, Tendências de um Mercado Dinâmico, realizado pela S&P Global Market Intelligence, em São Paulo.
Há uma enorme assimetria no mercado de ações brasileiro, com valuations extremamente baixos para as empresas locais, especialmente após os eventos recentes, como a guerra, disse Frederico Sampaio, Co-head de Latam, da Franklin Templeton Global Investments.
“Vemos, especialmente entre as empresas listadas no mercado doméstico, uma compressão dos múltiplos, então há um enorme espaço para apreciação”, afirmou Sampaio, que participou do painel Avaliação de Portfolio e Posicionamento de Mercado para 2026.
Compasso de espera
O Brasil ainda enfrenta grandes desafios, especialmente relacionados às questões fiscais e de produtividade, disse Sampaio.
O mercado segue em compasso de espera até a definição das eleições presidenciais no Brasil, disse Sampaio. “Independente de quem vença as eleições, estas questões precisarão ser endereçadas,” observou Sampaio.
Na mesma linha, o diretor executivo da Nu Asset Management, Andrés Kikuchi, também mencionou um cenário favorável para valorização no mercado de equities.
“Vemos grandes oportunidades para investir no mercado brasileiro, especialmente considerando o volume de investimentos vistos no Brasil ao longo dos últimos 12 meses”, disse Andrés Kikuchi, diretor executivo da Nu Asset Management.
Além disso, ainda tem uma ampla gama de investimentos indexados a caminho, e o Brasil está bem-posicionado frente a outros mercados emergentes, disse Kikuchi. “Claro que há uma série de desafios internos e externos, mas este momento também é uma oportunidade para os gestores reverem as alocações”, acrescentou.
Incertezas no mercado de ações
Os juros ainda elevados continuam sendo um entrave para as empresas. Ao mesmo tempo, o cenário segue desfavorável para novos IPOs, os dois gestores disseram à Capital Aberto no intervalo de evento.
Na avaliação dos gestores, neste patamar atual das ações, com valuations muito baixos, é até mais provável um movimento de recompra das ações por parte das empresas do que novos IPOs.
O IPO da Compass, em curso no mercado, é considerado uma exceção porque vem mais por uma necessidade da sua controladora Cosan, que está focada na gestão da crise da empresa-irmã Raízen, atualmente em recuperação extrajudicial.
“Antes da guerra, pouco mais de dois meses atrás, o retrato era ruim, mas o filme estava melhor”, disse Sampaio. Agora, acrescentou, a possibilidade de manutenção da taxa de juros em patamar mais elevado agravou a situação, disse Sampaio da Templeton.
Fonte: Capital Aberto