Por Matheus Prado e Igor Sodré — De São Paulo
24/06/2022 05h02 Atualizado há 5 horas
Os mercados locais se descolaram dos seus pares globais ontem, amargando nova sessão negativa. A perda de atratividade das commodities no curto prazo e o imbróglio fiscal em Brasília podem estar reforçando, segundo analistas, a saída do investidor estrangeiro dos ativos domésticos. O Ibovespa fechou em nova queda, de 1,45%, indo aos 98.080 pontos – o índice está na menor pontuação desde novembro de 2020. O dólar avançou 1,02%, para R$ 5,2292, depois de bater nos R$ 5,2353 na máxima.
“Apesar do pano de fundo ser a cena lá fora, com todo o cenário recessivo no foco, aqui no Brasil temos o imbróglio envolvendo o preço dos combustíveis e como o governo vai coordenar essa situação”, destacou Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.
Nessa linha, temores sobre a situação fiscal voltaram a dominar as mesas de negociação após membros do governo sugerirem a criação de um voucher para caminhoneiros, buscando formas de lidar com o aumento do preço dos combustíveis. Fábio Guarda, sócio e gestor da Galapagos Capital, opina que as discussões fiscais já trazem para o foco a questão eleitoral, que passa a entrar no radar dos investidores.
Na B3, o Ibovespa apresentou queda generalizada das principais ações do índice. Vale ON perdeu 3,65% e Petrobras ON e PN recuaram 2,12% e 1,85%. No setor financeiro, Itaú PN caiu 2,29% e Bradesco PN, 2,64%.
Para Ermínio Lucci, CEO da BGC Liquidez, a queda das empresas ligadas às commodities até se explica por uma diminuição da expectativa de demanda por produtos brutos em caso de recessão global. O setor financeiro, no entanto, deveria aparecer como uma possibilidade de alocação mais segura no momento, o que pode indicar um movimento coordenado de saída do investidor estrangeiro.
“Globalmente, o mercado começa a entender que, para a inflação cair, vai demandar juros e tempo. E dificilmente isso ocorrerá sem uma recessão, o que pode reduzir a demanda por commodities. Já no ambiente interno, os ruídos políticos começam a deixar sensação ruim no mercado, principalmente na bolsa.”
Fonte: Valor Econômico
