Por Ruth Liew, Bloomberg
13/12/2022 15h00 Atualizado há 21 horas
O coro dos estrategistas que recomendam comprar títulos soberanos só aumenta, mas a BlackRock pretende ficar de fora.
A principal convicção atual da maior gestora do mundo é que se deve evitar títulos soberanos de longo prazo à medida que os níveis de endividamento aumentam e a inflação atinge níveis elevados.
O mercado exigirá rendimentos cada vez mais altos como recompensa pelo risco e as taxas de juros podem permanecer elevadas por mais tempo do que muitos esperam, disse a gigante de investimentos.
“Estamos underweight em títulos públicos nominais de longo prazo em todos os cenários”, disseram o vice-presidente Philipp Hildebrand e seus colegas em um relatório que examina quatro diferentes perspectivas de mercado. “É improvável que os bancos centrais venham ao resgate com cortes rápidos de juros em recessões que eles mesmos engendraram para reduzir a inflação.”
Uma liquidação recorde dos Treasuries este ano força os investidores de renda fixa a reavaliar seus planos para 2023. Alguns estrategistas alertam que o otimismo sobre um pico no ciclo de aperto pode ser prematuro.
O mercado está dividido, com gestoras como Fidelity e Jupiter acumulando títulos para combater o risco de uma recessão.
O posicionamento da BlackRock é baseada na visão de que, por causa da inflação persistente, a dívida soberana de longo prazo não cumpre mais o papel tradicional de fator de diversificação de carteiras.
Os yields dos títulos do Tesouro americano de 10 anos quase triplicaram desde a mínima do ano, chegando a 4,34% em outubro, depois que o Federal Reserve elevou juros agressivamente para domar a inflação mais alta em quatro décadas.
“Vemos investidores exigindo maior compensação para mantê-las, já que os bancos centrais apertam a política monetária em um momento de níveis recordes de dívida”, disse a BlackRock, referindo-se às notas soberanas de longo prazo.
Enquanto os bancos centrais de todo o mundo tentam desacelerar a alta de preços, a BlackRock avalia que fatores de longo prazo, como o envelhecimento da força de trabalho, manterão as pressões acima dos níveis pré-pandêmicos.
A empresa favorece títulos indexados à inflação para proteger seu portfólio.
Fonte: Valor Econômico