Por Bloomberg — Cidade do México
10/01/2023 15h59 Atualizado há 13 horas
O presidente Joe Biden conclamou, em conversa particular, seu colega mexicano a adotar novas políticas para aproveitar a campanha dos EUA de fomentar a produção interna de semicondutores, parte de um esforço para deslocar a produção de alguns componentes tecnológicos fundamentais da Ásia para a América do Norte.
A orientação de Biden acompanhou um acordo, firmado ontem, com o México e o Canadá para coordenar melhor os investimentos na produção de semicondutores em todo o continente, incluindo a identificação de oportunidades de investimentos em chips e recursos minerais decisivos, além de apoio à formação de profissionais em tecnologias avançadas.
Biden se reuniu com Andrés Manuel López Obrador (conhecido pelas iniciais Amlo) na segunda-feira (09) na Cidade do México, onde concordaram em montar equipes de alto nível para estimular a cooperação econômica em chips e outras medidas, disseram autoridades a par das negociações.
As equipes ainda estão sendo formadas, mas a secretária de Comércio dos EUA, Gina Raimondo, que participou da reunião com Amlo, estará profundamente envolvida, segundo autoridades.
Biden está no México para reunir-se com Amlo e com o premiê canadense, Justin Trudeau, em um encontro de cúpula dos líderes da América do Norte. Questões de comércio exterior, de cooperação econômica e de migração são os principais temas da agenda.
“[Nos EUA] estamos no processo — e vocês também, falamos sobre isso — de fortalecer nossas cadeias de suprimentos, para que ninguém possa arbitrariamente nos deter ou para que uma pandemia na Ásia não possa barrar nosso acesso a elementos decisivos de que precisamos para fazer tudo, desde montar automóveis até tantas outras coisas”, disse Biden a Trudeau em reunião nesta terça-feira (10).
Trudeau concordou que os países precisam “continuar a avançar na criação das cadeias de fornecimento e valor eficientes e resilientes de que precisamos” e disse estar satisfeito com a cooperação do governo Biden nessa questão.
Washington intensificou as iniciativas para expandir a produção de semicondutores depois que problemas nas cadeias de fornecimento causados pela pandemia de covid-19 e as tensões cada vez maiores com a China realçaram a dependência mundial da produção na Ásia, especialmente de Taiwan. Essas iniciativas incluem mais de US$ 50 bilhões em incentivos previstos em uma lei que Biden sancionou no ano passado para construir novas fábricas nos EUA, assim como uma ofensiva para conter as ambições da China de desenvolver uma indústria própria de chips avançados.
EUA, Canadá e México anunciaram nesta terça-feira (10) que uma de suas iniciativas para coordenar o investimento na fabricação de semicondutores será o estabelecimento de um fórum com representantes da indústria para sustentar o crescimento desse setor, de acordo com um comunicado da Casa Branca.
Uma alta autoridade do Ministério das Relações Exteriores do México disse na semana passada que durante a visita do presidente americano à Cidade do México, Amlo pediria apoio a Biden para atrair investimentos na área de semicondutores. O México também quer a ajuda dos EUA para garantir recursos de bancos de desenvolvimento para um plano ambicioso de construir vários parques solares estatais no Estado fronteiriço de Sonora, segundo a autoridade a par das discussões. Ela acrescentou que López Obrador procurará ainda discutir a venda de energia limpa mexicana para Estados americanos, especialmente a Califórnia.
Fonte: Valor Econômico

