Por Álvaro Campos e Guilherme Pimenta, Valor — São Paulo e Brasília
03/02/2023 20h18 Atualizado há 2 dias
A possibilidade de uma nova recuperação judicial (RJ) da Oi tem sido acompanhada com certa apreensão pelos bancos. A estratégia ainda não está definida e vai depender da aprovação ou não do pedido pela Justiça, e de em quais termos ele virá. Ainda assim, somado ao caso da Americanas, os bancos agora estão olhando com lupa todos os contratos com grandes empresas e já se observa no mercado um aumento dos juros cobrados em função do maior risco, embora ainda pequeno.
Segundo o Valor apurou, a Caixa teria uma exposição de cerca de R$ 1 bilhão à Oi, por meio de debêntures. O banco já baixou a prejuízo, há muito tempo, aproximadamente metade desse volume. Se um eventual novo pedido de recuperação judicial for feito — e aceito pela Justiça —, a instituição pode reavaliar esse percentual, mas por enquanto não tende a mexer nele, diz uma fonte.
O Banco do Brasil também já teria provisionado sua exposição, em 100%. No fim do ano passado, mesmo quando a RJ foi encerrada, por conservadorismo a instituição resolveu manter esse patamar. Um interlocutor próximo ao BB afirma que ainda está em estudo se a dívida será renegociada.
O executivo de um grande banco diz que, apesar das RJs muito próximas, Oi e Americanas são bem diferentes. A primeira, anos antes de entrar com o pedido, já enfrentava problemas e tinha ratings ruins, enquanto no caso da varejista a decisão foi uma surpresa total. “Não sei se vai virar ‘moda’ pedir proteção via tutela antecipada. Tudo vai depender da decisão judicial. Se a nova RJ da Oi for negada, isso inibiria outras empresas e teria um efeito positivo no mercado. Se ela for aceita, mas com uma série de condições, com regras técnicas, pode ter um efeito neutro. Agora, se for aceita integralmente, pode abrir um precedente ruim.”
Questionado sobre os desdobramentos do tema durante coletiva de divulgação dos resultados do banco no quarto trimestre, o presidente do Santander, Mario Leão, evitou comentar casos específicos. Disse apenas que, após esses dois casos, todos os bancos estão olhando “com lupa” os balanços das grandes empresas. “É positivo entrar com pedido de proteção e possivelmente depois RJ? Claro que não. Mas nomes mais conhecidos [com problemas conhecidos], na média, foram sendo provisionados, por diligência das instituições financeiras, ao longo dos anos. Então não vejo que nomes públicos há mais tempo vão causar, na margem, um nível de provisionamento mais alto na indústria como um todo.”
Fonte: Valor Econômico