Por Liane Thedim — Do Rio
21/08/2023 05h02 Atualizado há 6 horas
A decisão do Santander de orientar sua estratégia para os investimentos na alta renda, e não mais para o crédito, já traz resultados expressivos para o banco na área. O movimento mais agressivo nessa direção aconteceu há um ano, com a criação do escritório AAA, que já soma 1,3 mil assessores e cujo objetivo é chegar a 2 mil até o fim do ano. De lá para cá, a captação líquida total em aplicações cresceu 106% (em julho frente ao mesmo mês de 2022) e, na corretora, a evasão de clientes (quando usam outras plataformas para aplicar) caiu 58% no mesmo período. Agora, o Santander faz novo movimento: a partir de hoje, não haverá mais cobrança de taxa de corretagem de clientes em operações nos canais digitais.
“Temos hoje 7% de market share em investimentos, mas, na renda variável, a fatia é de apenas 2,5%. Ou seja, há muito espaço para percorrer”, afirma Leonardo Siqueira, head comercial de investimentos do Santander. “O elemento da taxa de corretagem, que é de R$ 5 por operação, pode ser a barreira que faltava para tomar decisão de investir na instituição. É um complemento. Não é o que vai mudar o jogo, mas vai criar uma reflexão diferente no consumidor”, completa Geraldo Rodrigues, diretor de investimentos do Santander Brasil.
A virada estratégica do Santander Brasil começou em 2022, depois do “boom” de investimentos em produtos complexos via plataformas digitais. “Quando a taxa de juros chegou à mínima de 2%, em agosto de 2020, os bancos estavam menos preparados para enfrentar a concorrência das plataformas”, analisa o executivo. Nesse momento em que o país recomeça o ciclo de queda da Selic, ele considera que a situação da instituição é outra. “Estamos bem diferentes e particularmente bem posicionados para atender esse investidor que vai voltar a buscar alternativas sofisticadas.”
Sandra Gouveia, head de pessoa física da Santander Corretora, afirma já estar sentindo um aumento na busca por renda variável. “Foi um presente ter o juro a 2%, porque uma massa de investidores que experimentaram a renda variável agora tem potencial de retorno”, diz. “O AAA foi uma oportunidade para dar escala à corretora, que agora tem 70 traders que atuam em conjunto com os assessores orientando o investidor. Em um ano dobramos o business”, diz ela.
Outro passo na direção de incrementar o segmento de renda variável foi dado em junho deste ano, quando o Santander anunciou a compra da totalidade da participação na Toro Investimentos. A corretora teve o controle assumido pelo banco em abril de 2021, em uma transação equivalente a 60% do capital acionário da empresa. Atualmente, a Toro tem 1,3 milhão de clientes, uma alta de 40% em 12 meses. O volume de ativos sob gestão cresceu 88% no mesmo período, para R$ 16 bilhões. Desde o seu ingresso no grupo Santander, a corretora saltou da 12ª para a 5ª posição entre as maiores em volume negociado na B3.
Segundo Siqueira, a maior parte do investidor de renda variável precisa de apoio na escolha dos ativos. Por isso, a geração de conteúdo e de recomendações de investimentos está cada vez mais forte no banco. “Nosso ‘equity research’ cobre mais de 150 empresas.”
De acordo com o banco, a base de clientes investidores cresceu 16% em julho deste ano, frente ao mesmo mês de 2022. A série de mudanças implementadas do ano passado para cá incluiu ainda o relançamento da interface digital de investimentos do banco e a ampliação do portfólio de produtos. “Trouxemos para o varejo a oferta de fundos que antes tínhamos restrita ao segmento prime”, comenta Rodrigues.
Além disso, o Santander fez, em agosto de 2022, um reposicionamento do Select, que até então exigia comprovação de renda de R$ 10 mil ou investimentos acima de R$ 100 mil. Agora, qualquer pessoa que pague o pacote mensal de R$ 96,90 pode ter acesso aos serviços, que incluem condições diferenciadas em financiamentos e descontos em eventos.
Fonte: Valor Econômico


