O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou há pouco que foi muito discutido entre autoridades monetárias na última reunião do Fundo Monetário Nacional (FMI) de onde vai vir a desinflação a partir de agora. “Recentemente a gente viu um movimento em que a inflação [global] parou de cair. As pessoas estão começando a questionar de onde vai vir a desinflação daqui para frente. Os pontos que eram óbvios de desinflação não são mais”, disse em evento promovido pelo Credit Suisse em São Paulo.
Campos ressaltou, contudo, que a inflação cheia está “caindo bastante” em vários países do mundo. Ele destacou a alta do preço do petróleo, que está subindo “mesmo antes de Israel”. No Brasil, ele frisou que foi importante manter a meta de inflação em 3% “em termos de ancoragem” de expectativas.
Em relação à política monetária, o presidente do BC afirmou que “todos os olhos estão agora na precificação da curva de juros americana”. “Existe uma dúvida do que vai acontecer nos EUA, vai parar [de subir] agora mas vai voltar a subir em dezembro?”, questionou e pontuou que no mundo emergente há precificação de queda.
“Será que tem alguma coisa de fiscal nessa curva de juros americana ou é uma coisa técnica? O fiscal nos Estados Unidos tem sido pior, as pessoas estão com dificuldade de estimar o déficit no fim do ano”, disse.
Segundo Campos, na parte qualitativa da inflação “não tem nada surpreendendo muito”, mas quando há surpresa é positiva. “Na parte qualitativa não tem nada surpreendendo muito, eu diria que são surpresas positivas um pouco. Na parte de núcleos a surpresa também tem sido positiva”, disse.
Campos ressaltou que a inflação no Brasil em 12 meses teve uma elevação recente por efeito estatítico e destacou que alimentação no domicílio, que vinha caindo, “parece ter estabilizado”.
Em relação à atividade, o presidente do BC afirmou que há um debate sobre uma provável melhora no Produto Interno Bruto (PIB) potencial. “Começa a ter um entendimento que as reformas começam a ter impacto no crescimento estrutural”, afirmou.
Ele pontuou que o Brasil foi o país que mais teve revisão de projeção de crescimento para cima ao mostrar um gráfico do Fundo Monetário Nacional (FMI). “Teve uma para baixo agora por causa da China”, disse.
Fonte: Valor Econômico