Os maiores bancos americanos se preparam para divulgar, nesta semana, os resultados financeiros do segundo trimestre. A temporada de balanço do setor começa após as ações das maiores instituições financeiras dispararem e atingirem preços que podem dar pouca margem para erro nas projeções de desempenho.
J,P. Morgan, Bank of America (BofA), Wells Fargo e Citigroup – os quatro maiores bancos do país – assim como Goldman Sachs e Morgan Stanley, começarão a divulgar seus números do segundo trimestre na terça-feira.
Wall Street, em geral, espera que os bancos registrem receitas e lucros maiores do que há um ano. Ainda assim, com as ações dos bancos atingindo recordes – ou as máximas em um ano – vários analistas estão alertando que os preços podem estar exagerados e que a recuperação do papéis pode se dissipar.
O analista do HSBC, Saul Martinez, rebaixou as recomendações do J.P. Morgan, Goldman e Bank of America na semana passada. Ele ainda está otimista com os fundamentos dos negócios, disse ele, mas a alta dos preços das ações o faz hesitar.
“Não achamos que o J.P. Morgan deva ser negociado como um gigante da tecnologia. É uma instituição bancária”, escreveu Martinez, observando que o banco está sendo negociado com relação preço-lucro historicamente alto em relação aos concorrentes.
Nas últimas semanas, os investidores compraram ações de setores economicamente sensíveis na área comercial, já que os temores sobre as tarifas do governo Trump parecem ter diminuído por enquanto. Os mercados de ações dos EUA apresentam uma recuperação notável e uma nova leva de reguladores bancários pressiona para reduzir as regras instituídas após a crise financeira de 2008. Essas mudanças podem impulsionar ainda mais a lucratividade do segmento.
O Índice KBW Nasdaq Bank subiu 9,6% no primeiro semestre de 2025, no melhor desempenho do período em quatro anos, reforçando a confiança dos investidores. Tudo isso, no entanto, já está precificado nas ações dos bancos, escreveu Ebrahim Poonawala, analista da área de pesquisa do Bank of America.
A continuidade da alta das ações agora depende de previsões (“guidance”) mais elevados de lucros, que podem surgir na temporada de resultados, disse Poonawala em um relatório intitulado “Hora de uma pausa?”
Os balanços dos bancos darão aos investidores uma visão sobre o desempenho das áreas de banco de investimento, mesas de negociação, varejo e unidades de gestão de patrimônio durante o volátil segundo trimestre. As ações despencaram após o anúncio de tarifas do presidente Donald Trump em abril, mas depois se recuperaram com força.
Embora permaneça a incerteza sobre como as negociações do governo Trump com os parceiros comerciais se desenrolarão e como as taxas de juros podem mudar sob uma mudança na presidência do Federal Reserve (Fed, banco central americano), os reguladores financeiros nomeados por Trump ajudaram a impulsionar o setor.
Christopher McGratty, chefe de pesquisa de bancos na KBW, escreveu que está otimista “quanto à interação entre retorno de capital e desregulamentação” do setor financeiro. “Este catalisador latente provavelmente resultará em maiores recompras para os grande bancos e, em menor grau, para os regionais.”
Os investidores estarão atentos aos comentários dos executivos sobre as perspectivas para negociações das corretoras, receita líquida de juros e crédito, que são áreas-chave de receita, bem como suas perspectivas de negócio como um todo.
Fonte: Valor Econômico
