Por Dow Jones — Nova York
29/11/2022 10h15 Atualizado
O Catar assinou um acordo de fornecimento de gás natural de pequena escala com a Alemanha, mais um esforço de Berlim para diversificar suas fontes de combustível após o fim do fornecimento da Rússia.
O Catar é um dos maiores exportadores mundiais de combustível e fechou acordo com a Alemanha para fornecer dois milhões de toneladas de gás natural liquefeito (NGL) anualmente por pelo menos 15 anos, a partir de 2026, em um acordo com a empresa norte-americana ConocoPhillips. O volume cobre cerca de 3% do consumo anual de gás da Alemanha em 2021 e é o primeiro acordo de longo prazo que o Catar assinou com um país da Europa.
Embora o acordo ajude a Alemanha a diversificar seu fornecimento, ele surtirá pouco efeito no curto prazo. Antes da guerra na Ucrânia, Moscou fornecia mais da metade do gás importado por Berlim. Porém, desde o início da guerra, Moscou cortou o fornecimento do combustível, movimento classificado pela Alemanha como um ataque econômico em retaliação a seu apoio à Ucrânia.
Para compensar as perdas, Berlim se esforçou para importar GNL dos EUA e de outros fornecedores via países vizinhos, construir seus próprios terminais de importação e reduzir o consumo. Ajudada pelo clima mais quente, a Alemanha, juntamente com outros países europeus, conseguiu encher suas unidades de armazenamento de gás, enquanto as autoridades tentam evitar o racionamento de gás, o que aumentaria uma recessão já em curso na Europa.
O acordo ajudará o Catar a “contribuir com os esforços para apoiar a segurança energética na Alemanha e na Europa”, disse Saad al-Kaabi, ministro da Energia do Catar e CEO da QatarEnergy.
A ConocoPhillips fornecerá gás das unidades North Field East e South do Catar para o terminal Brunsbüttel LNG atualmente em construção na Alemanha, disse o Catar.
A Alemanha, que não possui uma instalação de importação de GNL, está construindo atualmente várias ao longo de sua costa norte que serão capazes de cobrir cerca de um terço de sua demanda atual de gás.
O acordo segue um acordo que o Catar assinou com a China na semana passada para fornecer GNL à Sinopec por 27 anos, o mais longo acordo de GNL até o momento.
Embora a Alemanha tenha iniciado negociações sobre um acordo de gás com o Catar logo após o início da guerra, as negociações se alongaram devido a diferenças sobre as condições e a duração dos contratos e preços.
“As empresas devem saber que as importações para a Alemanha diminuirão em algum momento se quisermos atingir nossas metas climáticas”, disse o ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, nesta terça-feira. A Alemanha quer neutralizar suas emissões de carbono até 2045, disse Habeck.
Após o início da guerra na Ucrânia, o Catar surgiu como uma das maiores esperanças da Europa para se livrar do gás natural russo. Alemanha, França, Bélgica e Itália estão em negociações com o Catar para comprar GNL a longo prazo.
O Catar vende gás natural em forma líquida – um processo usado para transportar o combustível – para a China, Coréia do Sul, Japão e outros consumidores asiáticos em contratos de longo prazo, ajudando o país de menos de três milhões de habitantes a se tornar um dos maiores exportadores de gás do planeta.
O Catar está no meio de um plano multibilionário para aumentar sua capacidade de produção de gás em 40% até 2026.
Fonte: Valor Econômico
