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As gigantes de tecnologia Alphabet, Amazon, Apple, Meta e Microsoft não decepcionaram o mercado financeiro com seus resultados trimestrais, mas o olhar segue atento às projeções de redução de receita e aumento de gastos no quarto trimestre.
Foi o caso das ações da Microsoft e da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, que tiveram queda de 6,05% e de 4,09%, respectivamente, mesmo após as divulgações de balanços que superaram as projeções de analistas na quarta-feira (30).
Já o avanço mais acelerado da receita de computação em nuvem da Alphabet, controladora do Google, e os resultados acima do esperado da Amazon, em e-commerce, nuvem e publicidade, tiveram uma recepção mais calorosa do mercado.
Empresa mais valiosa do mundo, a Apple trouxe um sinal de recuperação nas vendas do iPhone. No entanto, as ações recuaram após o balanço, refletindo uma queda expressiva no lucro diante de uma multa de € 13 bilhões sobre impostos na Irlanda.
Para o sócio da gestora Geo Capital, André Kim, houve reação à multa pontual e à contínua queda nas vendas da companhia na China, onde a concorrência local ganha espaço. No entanto, a perspectiva para 2025 é favorável com a chegada da inteligência artificial (IA) aos produtos da companhia. “A IA é um prato cheio para o mercado”.
A própria Apple informou na semana passada que projeta um novo ciclo de consumo no mercado de tecnologia devido aos avanços da IA.
Para analistas consultados pelo Valor, os resultados dos balanços trimestrais das gigantes de tecnologias, divulgados na semana passada, foram consistentes. E o cenário econômico de aumento do consumo favorece o fechamento do ano para as empresas de tecnologia, diz Kim.
“Dados do setor de cartões de crédito sinalizam que o consumidor segue gastando. Além disso, a sensação de controle de juros e de desemprego estável nos Estados Unidos mostram uma economia resiliente”, completa o sócio da Geo Capital.
Mesmo a disputa entre a democrata Kamala Harris e o republicano Donald Trump pela Casa Branca, que chega a seu momento decisivo nesta terça-feira (5), terá impacto duradouro nas ações de gigantes de tecnologia, avalia Kim. “Uma vitória de Trump poderia gerar maior desconforto para as ‘big techs’, mas seria momentâneo”, diz Kim.
O trimestre encerrado em setembro não trouxe “dúvidas estruturais” sobre os modelos de negócios das “big techs”, que seguem elevando investimentos em nuvem, observa o analista de tecnologia do Itaú BBA, Thiago Kapulskis. “As empresas estão investindo porque há demanda. É um resultado que não aparece de uma hora para outra, mas o mercado está pouco paciente”.
Os resultados de computação em nuvem são uma importante métrica do mercado para avaliar a demanda das empresas por aplicações de inteligência artificial (IA) generativa, que exigem maior capacidade computacional e, consequentemente, mais investimentos em centros de dados pelas “big techs”.
A impaciência do mercado com o resultado da Microsoft envolveu o aumento de despesas operacionais e a projeção de receita abaixo de esperado para o trimestre encerrado em dezembro. A empresa espera alcançar uma receita entre US$ 68,1 bilhões e US$ 69,1 bilhões, que representa, na média, um crescimento de 10,6%, em base anual. Analistas de mercado sondados pela bolsa de valores de Londres (LSEG) previam receita de US$ 69,8 bilhões.
As empresas estão investindo porque há demanda. Mas o mercado está pouco paciente”
O resultado da Microsoft com serviços de nuvem pela plataforma Azure cresceu 33% em base anual, acima das projeções – a empresa não revela o valor da receita de Azure. Já a expectativa de avanço ligeiramente inferior – entre 31% e 32% – deste segmento no próximo trimestre, excluindo efeitos cambiais, não agradou. A previsão de aumento de 7% em despesas operacionais e de 11% a 13% em custos com mercadorias vendidas, tampouco.
Dona do Facebook e do Insta, a Meta mostrou que seus investimentos em IA vêm se pagando com a receita de publicidade, que somou US$ 39,9 bilhões no terceiro trimestre, alta de 18,6%, na comparação com igual período de 2023. Entretanto, o ajuste na receita prevista para o quarto trimestre, na faixa de US$ 45 bilhões a US$ 48 bilhões e o aumento de US$ 1 bilhão no patamar de despesas de capital em 2024, para uma faixa de US$ 38 bilhões a US$ 40 bilhões, não foram bem-vindos.
Além disso, o mercado segue preocupado com a divisão Reality Labs, que inclui óculos de realidade aumentada e iniciativas de metaverso. “Para a Reality Labs, continuamos esperando que as perdas operacionais de 2024 aumentem significativamente ano a ano”, disse a empresa em comunicado.
Nem todos os observadores do mercado têm uma visão pessimista sobre a área de inovação da empresa de Mark Zuckerberg. “Entre as iniciativas de IA, me chamou a atenção o projeto de percepção ao toque que estão desenvolvendo na linha de robótica”, destacou o sócio da RGW Assessoria de Investimento, José Cassiolato. “É um passo muito significativo”.
Entre as empresas que disputam o topo do mercado de computação em nuvem, liderado pela Amazon, a Alphabet chamou a atenção com o avanço de receita do serviço Google Cloud.
As receitas do serviço de armazenamento em nuvem Google Cloud alcançaram US$ 11,35 bilhões nos três meses encerrados em setembro, alta de 35% sobre o ano passado. Analistas sondados pela Zacks Investment Research previam uma receita de US$ 10,9 bilhões neste segmento, alta de 29,8% em base anual.
No segundo trimestre, a Amazon contava com 32% do mercado de infraestrutura de nuvem, seguida pela Microsoft, com 23% e pelo Google, com 12%, segundo dados da consultoria Synergy Research Group. A análise mostra que os gastos das empresas com infraestrutura de nuvem somaram US$ 79 bilhões, entre abril e junho, um crescimento de 22% em relação ao segundo trimestre de 2023.
A Amazon melhorou o humor de Wall Street com resultados acima do previsto. As vendas líquidas da AWS somaram US$ 27,45 bilhões nos três meses encerrados em 30 de setembro, avanço de 19,05% ante igual período de 2023. O resultado ficou em linha com a projeção de analistas da FactSet, que estimavam receita de US$ 27,4 bilhões e alta de 19%, no período.
O avanço dos gastos das “big techs” com máquinas que sustentam aplicações de IA na nuvem também favorece as fabricantes de microprocessadores. “Uma parte do Capex se traduz em receita para as empresas de semicondutores, especialmente para a Nvidia [que divulga seu balanço no dia 20]”, lembra Kapulskis, do Itaú BBA.
