A filantrópica Vicky Safra, de 73 anos, deixou de ser considera a mulher mais rica do Brasil na lista de bilionários da Forbes deste ano, divulgada no último dia 10 de março.
A mudança, porém, não está associada à fortuna, que cresceu 30% em 2026 e atingiu US$ 27,1 bilhões, mas sim a uma questão identitária: agora, a revista americana considera a bilionária como grega.
De fato, Vicky nasceu na Grécia em 1952, mas, ainda criança, veio para o Brasil junto com a sua família. Ela é naturalizada brasileira e, por anos, apareceu na lista da Forbes como uma personalidade do Brasil — no ranking da Forbes de pessoas mais ricas da Grécia, Vicky lidera com folga em 2026.
Vicky se tornou a brasileira mais rica do mundo em 2023, depois que a revista passou a considerar o seu patrimônio e de seus filhos de forma conjunta. Antes disso, em 2022, o seu patrimônio era estimado em US$ 7,4 bilhões.
Questionada pelo Valor, a Forbes explicou que, quando um bilionário tem dupla cidadania ou mais, há um preferência por “listar seu país de cidadania principal como aquele com o qual ele/ela mais se identifica, pessoal ou financeiramente.”
No caso de Vicky, a Forbes afirmou que a mudança na sua nacionalidade aconteceu porque “ela não reside no Brasil há vários anos e não parece possuir muitos de seus bens lá.”
Vicky é viúva de Joseph Safra, fundador do Banco Safra, que faleceu em 2020. Eles se casaram quando ela tinha 17 anos e, juntos, tiveram quatro filhos: Jacob, David, Esther e Alberto.
Juntos, a família é proprietária do J. Safra Sarasin da Suíça, do Banco Safra do Brasil e de empresas ligadas aos imóveis, que incluem o arranha-céu Gherkin, em Londres, e o número 660 da Madison Avenue, em Nova York.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2021/C/4/ISUK1wQAaeE9lCZKNkpw/40481689-2610.1998-20-20hidelgard-20angel-20-20hi-20-20vicky-20safra-20-20jantar-20em-20comemora-c3-87-c3-83o-20ao-20homen-20do-20ano-20em.jpg)
A fortuna da família Safra começou a ser construída em 1840, ainda no Império Otomano, por meio do financiamento de caravanas montadas em camelos que cuidavam do comércio local. Com o tempo, a família passou a trabalhar com importação e comércio de metais, máquinas e gado, até finalmente fundar um banco.
Joseph Safra estudou na Inglaterra e chegou a morar nos Estados Unidos e em Buenos Aires, antes de voltar para o Brasil quando a saúde do pai começou a piorar na década de 1960. Foi então que conheceu Vicky, com quem se casou em 1969. “Foi um amor à primeira vista, um amor que duraria até o último momento de sua vida“, segundo o relatório anual do J. Safra Sarasin.
O casal é fundador da Vicky and Joseph Safra Philanthropic Foundation, uma organização ligada à educação, saúde, artes e cultura.
Atualmente, a bilionária mantém uma vida pública discreta e mora na Suíça. Suas raras aparições públicas geralmente são motivadas por trabalhos filantrópicos.
O Valor procurou Vicky por meio da assessoria do banco no Brasil, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
A posição da mulher mais rica do Brasil foi assumida por Ana Lucia de Mattos Barretto Villela, de 52 anos. A sua fortuna é estimada em US$ 2,5 bilhões.
Villela é bisneta do fundador do Itaú e neta do fundador da Duratex. Ela também é uma das maiores acionistas individuais da Itaúsa, com 6,8% do total de ações, onde atua como vice-presidente do conselho de administração.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2019/f/7/hzxCv7T2aOm4AgT8Drug/ana-lucia.jpg)
Na vida pessoal, Villela perdeu os pais ainda criança, aos 9 anos, e passou a viver com seu tio materno Alberto Barretto e, depois, com a tia paterna, Milú Villela. Ela é formada em pedagogia com habilitação em Administração Escolar e fez mestrado em Psicologia da Educação pela PUC de São Paulo.
Em 2002, ela fundou o Instituto Alana. Anos depois, fundou a Alana Foundation em 2012 e foi cofundadora da AlanaLab, que originou a Maria Farinha Filmes, em 2014.
Fonte: Valor Econômico
