Nos quatro primeiros meses do ano, o mercado total de genéricos cresceu 6,4% no país, depois da alta de cerca de 6% em 2021
Por Stella Fontes, Valor — São Paulo
04/06/2022 14h47 Atualizado há um dia
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As vendas de antidepressivos genéricos no Brasil cresceram expressivos 55,6% em dois anos de pandemia, confirmando que a covid-19 afetou também a saúde mental das pessoas, segundo levantamento da Associação Brasileira das indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos), a partir de dados da IQVIA, que monitora o varejo farmacêutico no país.
O levantamento, que compara as vendas em unidades entre janeiro e abril de 2019 e o mesmo período deste ano, mostra ainda que a procura por genéricos para depressão avançou mais do que a demanda total por essa classe de medicamentos no Brasil. Na mesma comparação, o mercado de antidepressivos, que considera a soma de medicamentos de referência, similares e genéricos, cresceu 36,6%.
“Depressão e ansiedade estão dentre as doenças que mais acometem a população mundial. Víamos que o mercado [de antidepressivos e ansiolíticos] vinha crescendo, mas esse movimento foi exarcebado pela pandemia”, diz a presidente-executiva da PróGenéricos, Telma Salles.
A maior procura pelos genéricos, por sua vez, reflete os preços no mínimo 35% menores dessa versão de tratamento, a confiança de médicos e pacientes em sua eficácia e o fato de as moléculas já serem conhecidas. “Hoje o genérico tem reputação positiva”, afirma.
Com esse movimento, os antidepressivos genéricos elevaram sua fatia de mercado de 55,9%, no primeiro quadrimestre de 2019, para 63,7% entre janeiro e abril deste ano. Segundo o levantamento, as vendas chegaram a 22,1 milhões de unidades nos primeiros meses de 2022. Em valor, foram R$ 378,8 milhões.
Nesse segmento, as moléculas mais vendidas, em unidades, foram escitalopram, sertralina, amitriptilina, fluoxetina e venlafaxina. E os maiores vendedores foram Eurofarma, SanofiMedley, EMS Pharma, Teuto e Geolab.
Os genéricos também ganharam fatia adicional no mercado de ansiolíticos, com crescimento de 17% nas vendas na pandemia. Nos quatro primeiros meses deste ano, as fabricantes dessa versão de medicamentos para controle dos desconfortos da ansiedade comercializaram 15,7 milhões de unidades, com participação de mercado recorde de 72% — em valor, foram R$ 71,9 milhões no quadrimestre. As moléculas mais vendidas foram clonazepam, alprazolam, bromazepam, diazepam e lorazepam, e os principais laboratórios no ranking, em unidades, foram SanofiMedley, Germed, EMS Pharma, Geolab e Teuto.
Conforme a PróGenéricos, os mercados de antidepressivos e ansiolíticos movimentaram, juntos, R$ 1,6 bilhão entre janeiro e abril. Os genéricos responderam por R$ 450,8 milhões do total. Uma vez que os tratamentos são mais longos, observa Telma, a tendência é de que o ritmo de crescimento se mantenha nos próximos meses.
Nos quatro primeiros meses do ano, o mercado total de genéricos cresceu 6,4% no país, depois da alta de cerca de 6% em 2021.
Fonte: Valor Econômico