Por Bloomberg
13/01/2023 05h01 Atualizado há 4 horas
Operadores de mercado redobraram as apostas em outra medida restritiva do Banco do Japão (BoJ) após informações de que o banco central vai revisar os efeitos colaterais de sua política já na próxima semana. O iene avançou e os contratos futuros dos títulos japoneses caíram depois de o jornal “Yomiuri” ter sinalizado que o BoJ poderia mexer nas compras de títulos ou anunciar mudanças em sua política para amenizar a turbulência causada pelo ajuste no controle da curva de juros realizado no mês passado.
A queda nos títulos futuros ocorreu mesmo com o BoJ tendo gastado um recorde de 2,8 trilhões de ienes (US$ 21,3 bilhões) em suas operações de compra de papéis prefixados na quinta-feira, para impedir que os rendimentos subissem acima do teto de negociação permitido.
“Agora esperamos que o Banco do Japão amplie o intervalo de controle da curva de juros em 0,50 ponto percentual em março”, escreveram em nota estrategistas do BNP Paribas, entre eles Ryutaro Kono, em Tóquio. Há “risco de uma ação já na reunião de janeiro”, disseram.
Investidores globais aumentam as apostas de que o BoJ terá que abandonar sua política “ultradovish”, ou de afrouxamento monetário, depois de se manter fiel à estratégia, mesmo diante do aperto conduzido por outros bancos centrais. Tal movimento poderia reverberar no mundo todo, fortalecendo ainda mais o iene e potencialmente atraindo centenas de bilhões de dólares de volta ao Japão.
Estrategistas esperam mais ajustes na política do BoJ nos próximos meses, especialmente porque um novo presidente deve substituir Haruhiko Kuroda em abril. A decisão do BoJ de dobrar para 0,5% o teto permitido ao rendimento dos títulos de dez anos em dezembro não foi o início de uma saída do afrouxamento, mas uma maneira de torná-lo mais sustentável, afirmou Kuroda no mês passado.
O iene ampliou os ganhos em relação ao dólar no pregão europeu, perto da máxima em seis meses atingida no início do mês. Os contratos futuros dos títulos japoneses de dez anos caíram para o nível mais baixo desde 2014.
A moeda do Japão já subiu cerca de 16% em relação à mínima registrada em outubro em meio à intervenção do governo, à expectativa de aumentos menores dos juros pelo Federal Reserve e possíveis mudanças na política do banco central do Japão. “Expectativas de que o BoJ deixe sua política ultra-acomodatícia continuarão sendo um obstáculo para o dólar-iene”, diz Carol Kong, economista e estrategista cambial do Commonwealth Bank of Australia.
Fonte: Valor Econômico


