O estado de São Paulo ganhou 900 mil metros quadrados de novos galpões logísticos este ano. Ainda assim, deve faltar espaço em 2027 – até nas cidades mais afastadas da capital.
Para a CBRE Brasil, o mercado focou muito em produzir novos empreendimentos no Raio 30, onde está concentrada a demanda e os valores de locação são mais altos.
Mas existe um gap de produtos disponíveis nas praças localizadas a até 120 quilômetros de distância da capital, como Campinas e Jundiaí.
Prova disso é que os maiores níveis de vacância estão entre os raios 30 e 60 – a taxa é de 2,9%, contra 4% no Raio 30, segundo a consultoria.
Com um nível tão baixo de vacância, o estoque que sobra está diluído em pequenos galpões, que não atendem aos grandes players do ecommerce que buscam descentralizar seus CDs.
Fernando Terra, o vice-presidente da CBRE Brasil, afirma que os desenvolvedores demoraram para acreditar nessa tese e só agora estão em busca de terrenos. “Mas existe um prazo mínimo entre comprar um terreno quase que rural e chegar a um galpão pronto,” ele disse ao Metro Quadrado.
Para ele, havia muitos construtores esperando o aluguel ultrapassar os R$ 30 por m² nas praças mais distantes para justificar o desenvolvimento – os valores só passaram a superar esse patamar nos últimos seis meses.
Por isso, a maior parte dos projetos em estágios avançados e previstos para serem concluídos no próximo ano são built-to-suit ou já estão pré-locados.
Já no caso de novos empreendimentos especulativos, é preciso considerar uma janela de pelo menos um ano para buscar as aprovações necessárias antes que os desenvolvedores possam sequer começar a construir.
Com isso, o prazo dos novos empreendimentos deve variar entre 24 e 36 meses.
“Vamos virar o ano com o novo estoque bem controlado e esse cenário não muda até o final de 2027”, disse Terra.
Nos últimos meses, a oferta segue menor que a demanda. Foram entregues 300 mil m² de novos galpões em São Paulo no terceiro tri, número abaixo da absorção líquida de 480 mil m² registrada no período.
No acumulado anual, a absorção já se aproxima dos 2 milhões de m², contra um acréscimo de 900 mil m² em novo estoque.
Com isso, o estado encerrou o trimestre com uma vacância de 3,8%, o menor nível em 18 anos.
Hoje há cerca de 22,5 milhões de m² em galpões distribuídos entre 500 condomínios logísticos no mercado monitorado pela CBRE em São Paulo.
Fonte: Metro Quadrado



