O UBS segue construtivo com os mercados no restante de 2026, mas recomenda que investidores parem de se ancorar em um único cenário-base. A avaliação está na carta mensal do House View divulgada nesta quinta-feira (20) pelo Chief Investment Office da divisão de Global Wealth Management, assinada pelo CIO Mark Haefele.
Três fatores sustentam a visão do banco: gasto robusto com inteligência artificial, crescimento de lucros mais disseminado entre setores e uma inflação que cede de forma gradual. Nesse ambiente, o UBS acredita que os índices amplos podem continuar subindo.
Haefele abre a carta com a máxima de Warren Buffett de que investir é simples, mas não é fácil, para comentar a mensagem do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, de que o tempo dos oráculos acabou. Warsh disse aos investidores para fazerem o próprio trabalho e olharem para a bola, não para o juiz. Segundo o CIO, é outra ideia simples de executar com dificuldade — mas trabalhar os dados, seja em tarifas, IA, guerra no Oriente Médio ou ações em geral, funcionou bem para o banco neste ano.
O foco do UBS recai sobre a durabilidade do ciclo de investimento em IA, a amplitude e a resiliência do crescimento dos lucros corporativos e o caminho da inflação e da política monetária. Entre os riscos que poderiam produzir um pano de fundo mais desafiador, o banco lista tendências de capex ou de monetização de IA abaixo do esperado, desaceleração no crescimento dos lucros e um novo choque inflacionário.
Daí a recomendação de pensar em cenários. Na prática, o UBS orienta três prioridades: colocar caixa para trabalhar de forma deliberada, capturar ganhos via exposição diversificada em ações e construir resiliência de portfólio.
Em renda variável, o banco pede diversificação da exposição a ações individuais. Estratégias de preservação de capital podem substituir parte da alocação em ações, limitando quedas e mantendo alguma participação nos ganhos — termos que estão mais favoráveis porque a volatilidade dos índices está relativamente baixa e as expectativas de juros, relativamente altas.
Em renda fixa, o UBS vê oportunidade de travar yields em títulos de qualidade nos níveis atuais, preparando as carteiras para cenários de desaceleração do crescimento e queda das expectativas de juros. A duration preferida do banco permanece entre dois e cinco anos.
A diversificação para além do binômio ações-títulos também é apontada como importante. Alternativos — hedge funds, private equity e private credit — podem ampliar as fontes de retorno, enquanto o posicionamento para um ciclo de alta em commodities oferece proteção em cenários nos quais expectativas de inflação mais altas pressionam tanto ações quanto bonds. As commodities ainda funcionariam como fonte estrutural de retorno, sustentadas por tendências como eletrificação e demanda crescente por energia. O banco ressalva que investimentos em mercados privados trazem riscos idiossincráticos, incluindo iliquidez e menor transparência.
Fonte UBS House View — Monthly Letter, “On the ball”, 20 de agosto de 2026. Chief Investment Office GWM, Investment Research, UBS AG. Autor: Mark Haefele, Chief Investment Officer, Global Wealth Management.


