O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que os EUA não irão ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz e que os países afetados devem comprar dos americanos ou “lutar por si mesmos” para conseguirem restabelecer o transporte marítimo pelo estreito.
Em publicação na sua rede social, Truth Social, Trump deu duas sugestões “para todos os países que não conseguem combustível de aviação por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã”.
A primeira indicação do presidente americano é a de que essas nações podem comprar o combustível de aviação dos EUA. “Temos bastante”.
Já a segunda é a de que esses países controlem o Estreito de Ormuz por conta própria, sem ajuda dos EUA, pois, segundo Trump, “[eles] não estiveram lá para nos ajudar”.
“Criem coragem, vão até o estreito e simplesmente TOMEM. Vocês terão que aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nos ajudar”, afirmou o presidente americano.
Trump também declarou que o Irã “foi, essencialmente, dizimado. A parte difícil já passou”. Nesse sentido, instou os países a buscarem seu próprio petróleo.
Em uma outra postagem na sua rede social, Trump atacou a França, afirmando que o país “não permitiu que aviões carregados com suprimentos militares rumo a Israel sobrevoassem o território francês”. Ele continuou dizendo que o país francês foi “MUITO INÚTIL” em relação ao Irã, que diz ter sido eliminado pelos EUA “com sucesso”.
Na segunda-feira, Trump tinha dito que está em “negociações sérias” com um “novo e mais razoável regime” do Irã, mas ameaçou atacar as infraestruturas vitais do país, se o regime não fechasse logo um acordo e se não reabrisse imediatamente o Estreito de Ormuz.
“Se por algum motivo um acordo não for alcançado em breve, o que provavelmente acontecerá, e se o Estreito de Ormuz não for imediatamente ‘aberto para negócios’, concluiremos nossa adorável ‘estada’ no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo e a Ilha de Kharg [importante centro de produção energética do Irã], que propositalmente ainda não atacamos”.
Já o governo iraniano afirmou ontem que não está havendo negociações com o governo americano. Mesmo após conversas realizadas no domingo com os ministros das Relações Exteriores do Paquistão, Egito, Arábia Saudita e Turquia, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, classificou novamente as propostas de paz americanas como “irrealistas, ilógicas e exorbitantes”.
O presidente americano tem enviado mais tropas americanas para o Oriente Médio. Milhares de soldados da 82ª Divisão Aerotransportada, a unidade de elite do Exército dos EUA, começaram a chegar ao Oriente Médio, disseram dois oficiais americanos à Reuters ontem.
Segundo a Reuters, essas tropas se somam aos milhares de marinheiros, fuzileiros navais e forças de operações especiais já enviados para a região. Durante o fim de semana, cerca de 2.500 fuzileiros navais chegaram ao Oriente Médio.
O jornal Financial Times (FT) informou no domingo que o Pentágono ordenou o envio de 10 mil soldados para a região.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou ontem que Trump queria chegar a um acordo com o regime iraniano antes do prazo de 6 de abril, que ele havia estabelecido na semana anterior. Na ocasião, Leavitt também disse que as conversas estão progredindo e que o Irã fala publicamente de forma diferente do que diz ao governo americano nas negociações.
Trump também estava considerando pedir aos países árabes que arcassem com os custos da guerra, de acordo com a porta-voz da Casa Branca. “É uma ideia que sei que ele tem e algo sobre o qual acho que vocês ouvirão mais dele”.
Fonte: Valor Econômico
